quarta-feira, 14 de março de 2012

ADVOGADOS E OAB MT SE MANIFESTAM FAVORÁVEIS À IMPLANTAÇÃO DO CURSO DE DIREITO NA UNEMAT DE ALTA FLORESTA

A implantação do curso de Direito no campus da na Universidade Estadual de Mato Grosso de Alta Floresta começou a ser debatida, 13/03, com a presidência e conselheiros da Ordem dos Advogados do Brasil -OAB-. 
O diretor do campus, Rubens Marques Rondon Neto, a prefeita Maria Izaura Dias Alfonso (PDT) e o deputado Ademir Brunetto (PT) expuseram os benefícios que o curso trará.
Agora, o Conselho Estadual da OAB vai analisar o pedido. Se tiver posicionamento favorável, ainda será necessária aprovação do conselho federal da ordem (composto também por 3 integrantes de Mato Grosso). O presidente Claudio Stabile adiantou que a OAB Mato Grosso vai dar apoio total. 
O conselheiro federal da OAB, Francisco Faiad, disse que é favorável a instalação do curso "o mais rápido possível, não só em Alta Floresta mas em Pontes e Lacerda e Barra do Bugres". Faiad registrou que a "Unemat é a 2ª maior faculdade que mais aprova bacharéis no exame da Ordem dos Advogados do Brasil e sabemos a seriedade com que a universidade estadual conduz o curso de Direito, principalmente através do qualfiicado corpo docente", elogiou. "Creio que até a metade do ano a OAB já manifeste pareceres favoráveis para a instalação dos cursos", concluiu.
Ainda será preciso a Unemat alocar verbas para serem feitos os investimentos necessários para biblioteca, salas de aula e pavimentação asfáltica no campus. 
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Fonte: Só Notícias.

terça-feira, 13 de março de 2012

VINHOS: VINHO ENRIQUECIDO COM "METEORITO"!

Segundo notícia veiculada pela Folha de São Paulo, o enólogo britânico  Ian Hutcheon e aficionado por astronomia criou, no Chile, uma variedade única de vinho, o "Cabernet sauvignon meteorito". A bebida, diz seu inventor, traz para a Terra o sabor do Universo.
Ao tentar dar um elemento diferenciador ao vinho que já produzia na pequena adega que possui no povoado de San Vicente de Tagua Tagua (120 km ao sul de Santiago) e unir duas de suas maiores paixões - a astronomia e a enologia -, o Hutcheon tentou uma mistura nunca antes explorada.
Hutcheon escolheu um vinho elaborado com uvas da cepa cabernet sauvignon e introduziu no barril um meteorito, deixando-o maturar por 12 meses.
O resultado da experiência o surpreendeu. Segundo ele, o meteorito mudou de cor e potencializou o sabor do vinho.
"Foi uma grata surpresa", declarou à agência de notícias AFP Hutcheon, dono da adega Tremonte, onde desenvolveu o vinho, e de um pequeno observatório astronômico para turistas.
"Não queria mudar o sabor do vinho, só queria encontrar uma forma mais simbólica de unir astronomia e a enologia", acrescentou.
O meteorito é um presente de um amigo Hutcheon que coleciona os corpos celestes e doou um encontrado no deserto do Atacama, no norte do Chile. Portanto, o terroir do vinho chileno fica ainda mais idiossincrásico com o meteorito do deserto andino chileno. A pedra, de cor preta, é muito mais pesada do que uma rocha de seu tamanho.
Comento: A cor preta do meteorito e o seu pesso, provavelmente, é consequência da presença de metais, como o ferro e o magnésio, que em grandes quantidades pode  dar um colaração entre preto e verde escruo à rocha. A introdução da pedra espacial no barril de vinho, lá permenecendo por um ano, pode ter afetado o aroma e o gosto do vinho pela introdução de uma dose adicional de ferro na beberagem. Contudo, é bom lembar que o vinha já possui ferro em sua composição,  porveniente em parte da uva, da terra e do contacto com materiais e produtos usados na vinificação. Entretanto, o ferro pode contribuir para a instabilidade do vinho assim como influenciar na turvação e formação de precipitados. Por outro lado, um dos fatores para ter um controle rigoroso deste  elemento no vinho é o risco para a saúde da pessoas. Níveis de ferro entre 8 e 10 mg/L podem ser prejudiciais para o ser humano. O ferro é o único nutriente cujo excesso o organismo não elimina. As conseqüências desse acúmulo são bastante nocivas, pois o ferro oxida-se rapidamente, gerando radicais livres, tendo como resultado o envelhecimento acelerado e prematuro. Aumenta também a ameaça de doenças cardíacas, câncer, diabetes e artrites. Após os 40 anos, surgem riscos de lesões hepáticas e de deficiência de testosterona.
Por enquanto, não há estudos que sustentem a mudança física produzida no vinho, mas a bebida tem agradado aos turistas.
O resultado despertou também a curiosidade dos cientistas de Estados Unidos e México, que pediram amostras do vinho para analisar as reações químicas produzidas pelo meteorito, que Hutcheon sustenta com delicadas pinças e guarda cuidadosamente em uma maleta preta.
A primeira versão do Cabernet sauvignon meteorito veio de uma safra de 2010 e alcançou a produção de 15 mil garrafas. Hoje, Hutcheon diz já ter encomendas da Espanha, Inglaterra, Canadá, República Tcheca e Irlanda.
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Fonte: Folha de São Paulo

segunda-feira, 12 de março de 2012

FAÇA VOCÊ MESMO: CONHECENDO OS ANTIBIÓTICOS

Histórico dos Antibióticos

Imagine, caro leitor, um evento catastrófico que cause a colapso da cilivilização ou torne indisponíveis as facilidades e benesses da tecnologia como, p. ex., uma forte tempestade solar (apenas para ficar em um fenômeno que estamos vivendo) ou um gigantesco maremoto como aquele que varreu o Japão... É lógico que a principal preocupação das pessoas, em uma situação  adversidade extrema e de risco de vida é com as suas necessidades básicas, como água e alimentos!  Mas certamente serão as doenças que mais aflingirão os sobreviventes da catástrofe e que mais ceifarão vidas. A indisponibilidade de analgésicos, anti-inflamatórios e, principalmente, antibiótico seria fatal para a grande mairia das pessoas. Por isso é importante conhecer como são produzidos os medicamentos porque esse conhecimento pode salvar sua vida. Com esse objetivo em mente, vamos falar um pouco sobre os antibióticos.
Alexander Fleming, bacteriologista, publicou em 1929, em Londres,um trabalho relatando as propriedades estudadas em meios de culturas de -Staphylococcus aureus-, contaminadas por um fungo existente no ar, pertencente ao gênero -Penicillium notatun- inibindo o crescimento. A substância produzida pelo fungo, após isolado, foi denominado de penicilina reconhecida por Fleming, como de possível utilização nos tratamentos das infecções, descoberta esta, que não foi de imediato valorizada na sua extensão terapêutica, permanecendo como uma curiosidade. Em 1939 foi descoberta a tirotricina por Dubos, obtida a partir de -Bacillus brevis-, isolados do solo, entretanto esta substância mostrou-se ser extremamente tóxica em uso sistêmico.
Tendo emprego clínico, e um grande desenvolvimento em1940, com a redescoberta por Florey, Chain e col., dos trabalhos efetuados por Fleming, aprimorados os estudos, obtendo a penicilina amorfa em estado sólido, ainda que impura, demonstrava que a ação da droga tinha efeitos nos curativos em infecções de animais de laboratório e do homem.
Experiências realizadas por Waksman em 1942, com antibióticos, demonstravam que alguns vegetais superiores apresentavam, devidos ao seu metabolismo, substâncias similares, denominadas fitoncidas. O uso clínico da penicilina deu-se durante a Segunda Guerra Mundial, e a sua importância então estabelecida, resultando no aparecimento da estreptomicina, em 1944 por Shatz e col. Em 1945, sendo os trabalhos pioneiros de Fleming, reconhecidos fazendo por merecer o prêmio Nobel de Medicina, com as descobertas de novos antibióticos, as doenças infecciosas sofreram radical transformação, permitindo o controle com mais segurança, razão pelo qual a antibioticoterapia se constitui em conquista médica , para se ter um conceito deste poder, do antibiótico, basta analisar os resultados obtidos em 1945 no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, quando o indice de mortalidade por infecções era de 14,1%, com uso de antibióticos em 1950, a mortalidade em 1962, caiu para 0,7%, a antibioticoterapia representa hoje de 30 a 40% do receituário médico.
A antibioticoterapia, que em nosso meio representa 30 a 40% do receituário médico, é hoje um dos ramos mais importantes da Farmacodinâmica, apesar dos problemas que ela envolve. Tendo uma relação completa dos antibióticos descobertos, com ou sem aplicação clínica, publicado nos boletins de informação do Centro Internacional de informações Sobre Antibióticos, localizado na cidade de Liege, na Bélgica.
O diagnóstico suspeito, a facilidade do uso, da compra, falta de controle farmacêutico, a medicina popular, as dificuldades para estabelecer-se a etiologia do processo infeccioso são fatores que levam à usos inigualados, surgindo cada vez mais agentes patogênicos ultra resistentes.

Conceitos

Segundo o conceito estabelecido por Waksman, em 1942, dava-se o nome de anitbiótico às substâncias elaboradas por seres vivos, geralmente microscópicos, dotados de atividades antimicrobiana, atuando como tóxicos seletivos, em pequenas quantidades, presumindo quase sempre "atividade biológica", ao contrario de quimioterápico, que são produtos de síntase ou de natureza vegetal, utilizadas com várias finalidades terapêuticas, eventualmente como antimicrobiano. As madeiras de lei do Brasil também produzem substâncias antibióticas, a exemplo do que ocorre com o jacarandá (-Dalbergia nigra-), o "Pau-d'Arco" (-Tabelina sp-), a casuarina, o guarantã e outras. Florey e col. resalta em 1949 que as plantas e seus produtos, foram utilizados no tratamento das infecções, em épocas muito remotas, mesmo antes das descobertas microbianas, atualmente tem despertado a atenção dos pesquisadores as possibilidades e investigações sobre o papel de tais substâncias naturais.
Os novos métodos, naturais e artificiais, para obtenção de medicamentos como atividade antimicrobiana, somados ao aperfeiçoamento dos processos antigos, tornam necessário a revisão do conceito primitivo de antibiótico,algumas destas substâncias puderam ser sintetizadas; verificou-se que outras possuiam ação antiblástica, passou-se também a utiliza-las com finalidades industriais, em conservação de alimentos e em desinfecção, em indústrias de fermentação, seu emprego nos meios de cultura, impedindo a contaminação bacteriana, permitindo progressos à virologia.

Origem dos Antibióticos

Os antibióticos eram inicialmente obtidos somente a partir de determinados microrganismos e em seguida de vegetais superiores. Posteriormente, com o conhecimento da sua estrutura química, alguns passaram a ser sintetizados em laboratórios, enquanto, outros foram obtidos derivados semi-sintéticos que podem apresentar propriedades diferentes da substância inicial.
Grande maioria dos antibióticos é originada de fungos pertencentes ao gênero -Penicillium-, -Cephalosporium- e -Streptomyces-, e de bactérias do gênero -Bacillus-. Os microrganismos são conservados em meios adquados e dependendo da constituição deste meio podem produzir substâncias diferentes, obtenção dos antibióticos é conseguida após várias fases bio-industriais, onde após incubação, inicia-se a fermentação em meios apropriados, o caldo fermentado é filtrado e o antibiótico separado, alguns deles em forma de sais, destacando-se a penicilina G, que é apresentada em forma de sal sódico ou potássio. No processo várias outras substâncias são produzidas com propriedades antibióticas, porém com atividade bem menor que a droga principal ou apresentando efeitos tóxicos que impedem o seu uso.
Por outro lado, estas substâncias podem provocar manifestações de natureza alérgica quando presente, como impureza, na apresentação comercial do antibiótico. Estudos bioquímicos dos antibióticos naturais permitem o conhecimento de suas formulas estruturais e possibilitam a obtenção de alguns por síntese laboratorial, exemplo o cloranfenicol, estudo este mais recente. Há novas perspectivas no campo da antibioticoterapia com o desenvolvimento dos antibióticos semi-sintéticos, tais substâncias são obtidas por modificações estruturais do proprio antibiótico natural, seja por adição de diferentes radicais ao seu núcleo básico, o qual pode ser obtido por degradação da droga formada ou por interrupção do processo fermentativo.
Os antibióticos semi-sintéticos atualmente mais desenvolvidos são os derivados da penicilina, da cefalosporina e das tetraciclinas. As penicilinas semi-sintéticas são obtidas pela adição de diferentes radicais ao núcleo básico da penicilina G, que é o ácido 6-amino-penicilânico, com as cefalosporinas que resultam do ácido 7-amino-cefalosporânico. Já com as tetracilinas, os derivados semi-sintéticos são obtidos por modificações na tetraciclina natural ou na oxitetraciclina.
Os derivados semi-sintéticos podem apresentar propriedades bastante diferentes da substância natural. Assim a oxacilina, um dos derivados penicilânicos, apresenta maior resistência à ação do pH ácido e da penicilinase do que a penicilina G, a ampicilina, outra das penicilinas semi-sintéticas, tem boa atividade sobre vários bacilos Gram negativos, efeito não observável com a penicilina G. Com respeito às tetraciclinas sem-sintéticas, as modificações nas propriedades dizem respeito à absorção e concentração das drogas, não havendo diferenças importantes quanto à atividade antimicrobiana, em relação às tetraciclinas naturais.


Classificação Química

Segundo a estrutura química, os antibióticos são divididos em quatro grupos, de acordo com a contituição química tendo importância pelo fato das substâncias do mesmo grupo apresentarem, em geral o mesmo mecanismo de ação e espectro de ação semelhantes, assim os aminoglicosídeos agem de modo idêntico, tendo efeito bactericida; todas as penicilinas apresentam o mesmo mecanismo de ação, tendo efeito bactericida; os antibióticos poliênicos agem sobre fungos com efeito fungicida; as tetraciclinas e rifocinas agem na síntese protéica; os macrolídeos têm o mesmo efeito bacteriostático, as que fogem a esta regra são as polimixinas, que têm mecanismo de ação diferente da bacitracina e vancomicina.
1. Derivados de Aminoácidos
a) Derivados monopeptídicos - cicloserina.
b) Derivados poliptídicos -polimixinas,tirotricina, bacitracina, vancomicina.
c) Derivados do aminopropanodiol -tianfenicol, cloranfenicol.
d) Derivados do ácido 6-amino-penicilânico-penicilinas.
e) Derivados do ácido 7-amino-cefalosporânico, cefalosporinas. 
2. Derivados de Açucares
a) Heterosídeos macrolídicos-espiramicina, eritromicina, pristinamicina, oleandomicina.
b) Aminoglicosídeos-gentamicina,neomicina, canamicina, estreptomicina, paromomicina, gabromicima, soframicina.
c) Outro heterosídeos- novobiocina, lincomicina. 
3. Derivados de acetatos
a) Poliênicos - nistatina, anfotericina B.
b) Aromáticos - tetraciclinas, rifocinas.
c) Outros- Griseofulvina e Fosfomicina. 
A importância no agrupamento dos antibióticos segundo a constituição química, refere-se a que, em alguns grupos, existe resistência cruzada entre os seus constituintes, fato ocorre entre os macrolídeos; as tetraciclinas; as cefalosporinas; o cloanfenicol e tianfenicol. Em relação a outros antibióticos isto não ocorre, porque as substâncias de um mesmo grupo podem apresentar determinados radicais na fórmula estrutural que modificam o ponto de ação do mecanismo de resistência bacteriana, principalmente quando de natureza enzimática. Pode-se citar a penicilina G e a oxacilina, frente ao estafilococo produtor de penicilinase. Este agente é resistente à ação da penicilina G porque a enzima por ele produzida age sobre o anel beta-lactâmico, transformando a penicilina no ácido penicilóico, desprovido de ação antimicrobiana, enquanto a oxacilina apresenta ação bactericida sobre o mesmo germe porque a penicilinase não é capaz de romper o anel, neste caso protegido por um radical mais complexo e ligado mais solidamente.
O conhecimento da resistência cruzada entre antibióticos é de importância para que se evite a terapêutica de duas drogas do mesmo grupo ou a substituição, em caso de resistência, de um antibiótico por outro que sofrerá o mesmo mecanismo de resistência; no caso de ocorrer resistência à sulfadiazina não adianta sbstituí-la por outra sulfa, ainda que de eliminação lenta, mesmo fato ocorrerá entre as tetraciclinas, onde a resistência a uma delas representa, geralmente, resistência a todo grupo.
Outra consequência do conhecimento da sensibilidade ou resistência dos agentes antibióticos de um mesmo grupo está na avaliação de fidedignidade de um antibiograma, neste, a sensibildade mostrada para o cloranfenicol deve se a mesma para o tianfenicol; idem ocorre entre os macrolídeos; as tetraciclinas; as cefalosporinas; as polimixinas.

Agentes produtores de Antibióticos:
Ampicilina - Penicillium notatum, chysogenum
Anfotericina - Streptomyces nodosus
Bacitracina - Bacillus subtilis
Canamicina * Streptomyces kanamyceticus
Cefalosporinas - Cephalosporium sp.
Cloranfenicol * Streptomyces venezuelae
Clortetraciclina * Streptomyces aureofaciens
Colistina - Bacillus polymyxa
Eritromicina * Streptomyces erythreus
Estreptomicina * Streptomyces griseus
Framicetina * Streptomyces lavendulae
Gentamicina * Micromonospora purpurea
Griseofulvina * Penicillium griseofulvum
Lincomicina * Streptomyces lincolnensis
Neomicina * Streptomyces fradiae
Nistatina - Streptomyces noursei
Novobiocina - Streptomyces niveus, spheroides
Oleandomicina * Streptomyces antibioticus
Polimixina B - Bacillus polymyxa
Tirotricina - Bacillus brevis
Vancomicina - Streptomyces orientalis

(-) Inibidores da síntese da parede celular ou de ação lesiva sobre a membrana celular.
(*) Inibidores da síntese protéica, com/sem bloqueio da formação de ácidos nucléicos.

Classificação segundo o espectro de ação

Os agentes infecciosos sobre os quais atuam os antibióticos, são as bactérias, protozoários e fungos, sendo que as bactérias dividem-se em sete grupos, sendo; bactérias Gram negativas, Gram positivas, Riquétsias, Microbactérias, Micoplasmas, Espiroquetas e Bedsônias (antigo grupo dos "grandes virus").
Os antibióticos podem ser classificados de acordo com a ação predominante sobre cada um destes grupos:
a) Ativos sobre protozoários - paromomicina, gabromicina, cabimicina, tetraciclina, anfotericina B.
b) Ativos sobre fungos - nistatina, anfotericina B, griseofulvina
c) Ativos sobre bactérias Gram positivas - penicilinas, macrolídeos, bacitracina.
d) Ativos sobre bactérias Gram negativas - polimixinas, aminoglicosídeos.
e) Ativos sobre bactérias Gam positivas e Gram (amplo espectro) - cloranfenicol, tetraciclinas, ampicilina, betacilina, cefalosporinas, rifampicina.
f) Ativos sobre Micobactérias - estreptomicina, rifampicina, cicloserina, canamicina.
g) Ativos sobre Riquétsias, Micoplasmas e Bedsônias - tetraciclinas, cloranfenicol.
h) Ativos sobre Espiroquetas - penicilinas, eritromicina, tetraciclinas, cefalosporinas.
Esta classificação, é bastante artificial, pois verifica-se antibióticos ativos em varias classificações, sendo que estes não são de "largo espectro" , e estes nem sempre se mostram eficazes, tendo o seu efeito limitado, devido a resistência bacteriana.
Com base em estudos "in vitro" também é possível determinar-se as menores concentrações de um antibiótico capazes de, ou impedirem o crescimento, (concentração inibitória mínima = C.I.M), ou causarem a morte do agente infeccioso considerado. Terapeuticamente considera-se a C.I.M. como a capacidade de indicar se o agente antimicrobianio é ou não eficaz, ligando o seu valor com a concentração atingida no sangue, tecidos, ou onde se localiza o antibiótico devem avaliar-se as condições do organismo, na possibilidade de se modificar ou dificultar a atuação prevista.

CIENTISTAS DESENVOLVE TRIGO RESISTENTE AO SAL


Pesquisadores australianos conseguiram produzir um tipo de trigo resistente e de alto rendimento que é tolerante ao solo salgado. Essa nova espécie de planta pode ajudar a acabar com a escassez alimentar em lugares áridos e semi-áridos, onde os agricultores lutam com a alta salinidade da terra.
Os estudiosos usaram um gene que creem ser responsável por controlar o teor de sal nas plantas, e que estava isolado há mais de 10 anos, a partir de uma variedade antiga de trigo. O trabalho foi publicado nesta segunda, 12, na revista Nature Biotechnology.
"Esta é a primeira vez que uma variação genética que se perdeu em plantas, por meio da domesticação, foi recuperada de um parente selvagem e colocada de volta na planta", disse o pesquisador Matthew Gilliham, da Escola de Agricultura da Universidade de Adelaide, na Austrália. 
Comento: É a engenharia genética criando novos organismos e recuperando genes perdidos pela seleção genética realizada pelo homem ao longo da história da civilização. 
O gene produz uma proteína que está presente nas raízes do trigo e que ajuda a bloquear a 'viagem' do sal, afirmou o pesquisador. Segundo ele, o sal reduz a produtividade e, eventualmente, pode matar a planta. "Quando as plantas crescem em condições salinas, as enzimas não funcionam muito bem", disse Gilliham.
Comento: A utilização intensiva da irrigação nos EUA e na Rússia causaou a contaminação de solo com o sal. A nova espécie de trigo tornará essas área novamente produtivas.
Os pesquisadores cultivaram a nova variedade de trigo em solos com alto teor de sal e descobriram que ela produzia rendimento de até 25% mais do que as cepas sem o gene antigo.
"As pessoas vão ver como isso funciona e talvez em 5 anos poderemos beneficiar outras variedades de trigo", explicou Gilliham.
Para ele, os agricultores da África Subsaariana, Austrália, Estados Unidos e Rússia também podem utilizar o trigo modificado.

sexta-feira, 9 de março de 2012

CHARGE: LIVROS SÃO TRANSFORMADORES!

GOVERNO RECUA NA PROPOSTA DE PUNIR EMPRESAS QUE PAGAM SALÁRIOS MENORES PARA MULHERES

O bom senso imperou e o governo recuou da ideia de aprovar o projeto de lei do deputado Marçal Filho (PMDB-MS), que acrescenta um parágrafo no artigo 401 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que prescreve punição paras as empresas que pagarem salário menor para as mulheres contratadas para a mesma atividade realizada por empregados homens, com multa em favor da empregada correspondente a cinco vezes a diferença verificada em todo o período da contratação.
Anteriormente, na quarta-feira, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) anunciaram a decisão de aprovar a proposta no plenário na última quinta-feira (08/03), deixando tudo pronto para a presidente Dilma Rousseff sancioná-la na próxima terça-feira, no Senado, numa solenidade alusiva ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia dia 8 de março.
Contudo, em vez incluir a proposta na pauta de votações, Jucá, ainda na quinta-feira, assinou um requerimento encaminhando o projeto para Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O texto foi aprovado em decisão terminativa na Comissão de Direitos Humanos (CDH) na última terça-feira.
A informação que se tem é que empresários de todo o País reagiram contra a proposta alertando que, na contramão da ideia, poderia resultar na redução de vagas para mulheres no mercado de trabalho.
Comento: É óbvio que o empregador, para evitar o dilema e eventual punição, dará preferência à contratação de homens, restringindo o mercado de trabalho para as mulheres.
Por outro lado, a proposta não trata das diferenças salariais decorrentes da experiência do empregado e do tempo de serviço e deixa ainda desprotegido o trabalhador homem que for contratado nas mesmas condições previstas para as mulheres por um salário menor. 
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Fonte: Jornal Estado de São Paulo

NÃO FOI DESTA VEZ!

A maior tempestade solar dos últimos cinco anos não provocou grandes contratempos na Terra.
Duas fortes explosões solares na última terça-feira (06/03) liberaram uma onda de radiação, plasma e partículas carregadas que se espalhou pelo Sistema Solar.
A radiação atingiu a Terra rapidamente, mas as partículas, que viajam mais devagar, chegaram ontem. Elas podem interferir em sistemas de comunicação e de orientação, como o GPS, e até em redes de energia.
Apesar da intensidade das explosões, as agências de monitoramento não haviam registrado grandes incidentes. Partículas ainda continuam chegando hoje.
Companhias aéreas que operam voos nos polos, no entanto, mudaram suas rotas para evitar possíveis problemas de comunicação.

INFOGRÁFICOS: DIMINUI PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA NO PIB

quinta-feira, 8 de março de 2012

LIVROS: A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL FOI A NAPOLEÔNICA - SEGUNDA PARTE

Continuação da introdução do livro "Primeira Guerra Total", de David A. Bell, objeto de postagem anterior.
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Ambas as explicações também padecem de problemas cronológicos mais específicos. Considere-se que, mesmo durante o período mais radical da Revolução Francesa (terminado em 1794), nem todos os líderes franceses advogavam a expansão da ideologia revolucionária pela força.
Seguiu-se um retorno à política dinástica nua e crua com Napoleão, que colocou três de seus irmãos e um cunhado em tronos estrangeiros e se casou ele próprio com a filha do imperador austríaco. Mesmo assim, foi justamente durante os últimos anos, os menos revolucionários de seu domínio, que as guerras aumentaram em amplitude e se tornaram mais ferozes na supressão de rebeliões contra o domínio francês.
O nacionalismo certamente contribuiu para as guerras. Os conceitos de engendramento de nações sob nova forma e de mobilização de populações inteiras ajudaram a inspirar desde a levée en masse (recrutamento em massa de soldados) da França em 1793 até a insurreição espanhola de 1808 contra Napoleão e a "guerra de libertação" alemã em 1813. O lema da "guerra de nações" havia, contudo, surgido na França e na Alemanha décadas antes da guerra revolucionária, enquanto o regime napoleônico terminou por minimizar a linguagem nacionalista, mantendo-se fiel a sua restauração da política dinástica e a sua transformação em um império multinacional.
Os soldados mal treinados e mal equipados da levée en masse tiveram importância porque eram muitos, mas sua ajuda no esforço de guerra francês foi menor do que supuseram seus contemporâneos. Tentativas similares de recrutamento geral na Áustria e na Prússia também tiveram sucesso apenas parcial. Napoleão contou com soldados profissionais o máximo que pôde. Quanto à guerra espanhola contra Napoleão, a qual ainda tem em geral a reputação de ter sido um levante espontâneo de todo o povo espanhol, grande parte da população na verdade permaneceu indiferente à guerra, ao passo que as atividades dos rebeldes por vezes se assemelhavam tanto ao crime organizado quanto à liberação nacional.
Neste livro, portanto, olho menos para nacionalismo e ideologia do que para as transformações daquilo que eu chamaria de a "cultura da guerra" entre meados do século 18 e as primeiras décadas do 19 --em outras palavras, grosso modo, durante o período de vida de Napoleão (1769-1821). Já mencionei aquela que foi a transformação mais importante: o modo pelo qual a guerra deixou de ser vista como um aspecto ordinário da vida social e passou a afigurar-se como algo inteiramente à parte do curso apropriado da história. Duas outras mudanças, relacionadas àquela, aconteceram ao mesmo tempo, e A primeira guerra total também as discute.
Primeiro, surgiram novas percepções das Forças Armadas. Eu argumento que foi nesse período que os "militares" vieram a ser definidos de forma duradoura como uma esfera à parte na sociedade, muito distinta da esfera "civil". A distinção não era desconhecida na Europa, mas havia anteriormente aparecido sobretudo em sociedades que buscavam ajuda de Exércitos mercenários, como as cidades-Estado da Itália do Renascimento.
Na maior parte da Europa, soldados comuns haviam com frequência vivido afastados de não soldados e tinham um conjunto de experiências distinto, mas as ideias de "militar" e "civil" ainda não eram parte do vocabulário social. Decerto a própria palavra "civil", no sentido de "não militar", ainda não havia aparecido em dicionários ingleses ou franceses. Antes da década de 1790, um civilian [civil] em inglês significava um especialista em Direito Civil (ou seja, Romano).
A distinção não existia porque os homens que dominavam as sociedades do Antigo Regime não estabeleciam fronteiras claras entre sua função profissional como oficiais militares e sua identidade social como aristocratas. Apenas na nova era da guerra a noção de "militar" como um mundo próprio, com suas próprias regras e valores distintos, operado por homens cujas experiências os desvinculavam de seus pares civis, ganhou corpo pela primeira vez. Somente então o substantivo civilian --em francês, civil-- ganhou seu sentido moderno que nos é familiar.
É verdade que essa redefinição de "militar" coincidiu com o aparecimento de Exércitos de cidadãos abastecidos por recrutamento. Já em 1793, os revolucionários franceses proclamaram todo cidadão do sexo masculino um soldado, ação que em certo sentido diminuiu as barreiras entre "militares" e "civis", e não o contrário.
O recrutamento e o serviço militar obrigatório não significavam, todavia, que todo cidadão devesse sempre se comportar como um soldado, mas sim que todo cidadão devesse estar preparado para desistir da vida "civil" em tempos de emergência nacional e ingressar no domínio do "militar".
Na verdade, os líderes militares das guerras revolucionárias e napoleônicas buscavam explicitamente desfazer os vínculos dos recrutas com a vida civil e lhes incutir um etos novo --um etos militar. Neste sentido, o surgimento dos Exércitos de recrutados na verdade reforçou a distinção entre militar e civil.
Essa nova separação de domínios deu origem por sua vez ao militarismo, outro fenômeno que não existia de fato antes de 1789. O militarismo, tal como eu o definiria, baseia-se precisamente na suposição de uma divisão muito clara entre sociedade "militar" e sociedade "civil", pois envolve a imposição dos valores daquela sobre esta.
Os militaristas acreditam na superioridade moral das Forças Armadas sobre a sociedade civil: as primeiras são louvadas por sua disciplina, sua capacidade de autossacrifício e de superar adversidades; a segunda é desprezada como fraca, corrupta, absorta.
Na Europa do Antigo Regime, a subordinação das Forças Armadas à aristocracia e aos príncipes tornava essa doutrina praticamente impensável, exceto, talvez, na Prússia de Frederico, o Grande --e mesmo aí, a noção de que um corpo militar autônomo pudesse vir a tomar o poder político para si teria soado totalmente absurda. Todo o propósito do Exército era servir ao monarca.
O militarismo moderno surgiu a princípio na França revolucionária e contribuiu para produzir o primeiro golpe de estado dos tempos modernos, o de Napoleão Bonaparte em 1799. A palavra "militarismo" surgiu mais ou menos ao mesmo tempo. Desde então, claro, tornou-se um elemento conhecido da cultura e da política do Ocidente moderno.
Nos Estados Unidos dos dias atuais, o historiador Andrew Bacevich descreveu um "novo militarismo americano" que se expressa em tudo, seja em filmes como Top Gun [Ases indomáveis] ou na ideia difundida de que o serviço militar constitui uma qualificação essencial para um posto político elevado (pensemos nas candidaturas presidenciais de John Kerry e Wesley Clark em 2004).
Como resultado dessas mudanças, uma cultura da guerra que nos é estranha deu lugar, no início da década de 1800, a uma cultura que se reconhece facilmente hoje em todo o mundo ocidental, especialmente nos Estados Unidos.
Na verdade, as atitudes americanas de hoje em dia às vezes parecem sinistra e particularmente próximas àquelas da Europa de Napoleão. Por um lado, os americanos de hoje geralmente percebem a guerra como uma situação excepcional --não obstante o fato de as Forças Armadas americanas haverem se envolvido em cinco grandes operações militares nos últimos 15 anos e manterem bases em um grande número de países. Frequentemente, americanos referem-se à guerra como algo superado nas nações civilizadas. Políticos dos Estados Unidos acusam automaticamente os adversários do país de malfeitores criminosos e os ameaçam de perseguição e até mesmo de assassinato, sem nunca lhes fazer a cortesia de uma declaração formal de guerra.
Mas muitos americanos, conforme observa Bacevich, têm um fascínio inabalável pela guerra, considerando-a um teste para o valor de sua sociedade. Tratam membros das Forças Armadas com um respeito que beira a reverência e dão por certa a impossibilidade de alguém que jamais tenha estado em combate compreender "como realmente é" a experiência e como ela muda uma pessoa. Essas atitudes, que hoje nos parecem atemporais e naturais, somente passaram a existir na Europa do final do século 18 e começo do 19, de onde posteriormente se expandiram pelo mundo.
É por esta razão que, se quisermos entender o lugar da guerra na imaginação moderna, precisamos viajar no tempo rumo à era dos mosquetes, canhões e barcos a vela. A tecnologia da guerra desde então mudou mais do que se pode pensar. Estratégia, tática e logística mudaram praticamente tanto quanto. Mas o lugar da guerra na cultura ocidental mudou muito menos, mesmo considerando-se as grandes transformações encetadas pelas duas guerras mundiais. E, surpreendentemente, a história cultural da guerra na Europa de Napoleão permaneceu um território em larga medida inexplorado até muito recentemente e ainda carece de uma visada sistemática.
É verdade que muitos aspectos da história contada aqui já apareceram em livros de história --o que dificilmente deixaria de ocorrer, pois existiam, segundo algumas estimativas, mais de 220 mil livros e artigos publicados sobre Napoleão e seu Império até 1980! Mas historiadores e cientistas sociais tentaram com muito menos frequência examinar o lugar da guerra na sociedade e na cultura do Ocidente, particularmente para períodos anteriores ao século 20. Antes de mergulhar na história propriamente dita, vale a pena discutir brevemente por que eles não o fizeram, pois esse contexto vai ajudar a mostrar de onde vem A primeira guerra total e como o livro tomou forma.
Podemos começar com o fato de que as ciências sociais modernas nunca entenderam verdadeiramente bem a guerra. Na verdade, muitas vezes preferiram nem tratar do assunto. Isso não ocorre principalmente porque muitos acadêmicos têm tendências pacifistas e poucos têm experiência militar, embora ambas as afirmações sejam verdade.
Fundamentalmente, conforme observaram de modo perspicaz sociólogos como Hans Joas e Michael Mann, isso ocorre porque as ciências sociais, de modo geral, descendem justamente do pensamento liberal do Iluminismo, que desprezava a guerra como algo primitivo, irracional, estranho à vida civilizada. Mesmo o marxismo, que teve uma influência intelectual tão forte de meados do século 19 ao final do século 20, não se afastou inteiramente desse pensamento.
Embora Marx enxergasse o conflito de classes (que se dá dentro das sociedades, não entre elas) como o motor da mudança histórica, ele ainda acreditava que tal conflito desembocaria em uma condição de harmonia social e paz perpétua. Ele também não exaltou a violência como purificadora e redentora, ao contrário do que fariam alguns de seus seguidores no século 20. Uma corrente de filósofos e cientistas sociais do século 19 levou a guerra mais a sério, argumentando que sem ela as sociedades se enfraqueceriam e definhariam. Tais filósofos e cientistas sociais, no entanto, viviam sobretudo na Alemanha e praticamente sumiram de vista depois da Primeira Guerra Mundial.
Dentre os principais pensadores do século 20, um dos poucos a colocar a guerra no centro de suas reflexões foi um homem cujo reacionarismo político o indispôs com a tradição liberal das ciências sociais.
O jurista alemão Carl Schmitt chegou ao ponto de colocar seu formidável intelecto a serviço de Adolf Hitler e de abraçar a perseguição nazista aos judeus. Mesmo assim, o ódio que ele sentia em relação ao pensamento liberal lhe proporcionou intuições [insights] incrivelmente aguçadas a respeito das consequências desse pensamento para a guerra, e nenhum estudioso do assunto pode se dar ao luxo de ignorá-las, por mais repugnante que o autor seja.
O que acontece, indagou Schmitt, quando uma guerra é travada em nome da paz perpétua, quando se "desenrola, então, a cada vez na forma de 'derradeira guerra da humanidade'"? Eis sua resposta: "Tais guerras têm de ser particularmente intensivas e desumanas porque ultrapassando o político, ao mesmo tempo degradam o inimigo em categorias morais e outras e precisam transformá-lo em um monstro desumano que não só precisa ser combatido, mas definitivamente aniquilado."
Ao escrever essas linhas em 1932, Schmitt tinha em mente a Primeira Guerra Mundial e o Tratado de Versalhes, que impôs indenizações de guerra punitivas à Alemanha, mas a passagem também tem uma relevância para um período anterior --para o qual o próprio Schmitt chamou a atenção em trabalhos posteriores. Em seu Theorie des Partisanen [Teoria da guerrilha], que começa com a luta da Espanha contra Napoleão, Schmitt propôs utilmente o conceito de "inimizade absoluta" para descrever uma condição na qual cada lado nega a própria humanidade ao outro.
Por algum tempo, a profissão histórica diferiu dos cientistas sociais. No século 19, a história ainda era predominantemente literária, uma arte narrativa, e o passado não oferecia um assunto mais dramático e atraente do que a guerra. Mestres como Ranke, Macaulay, Michelet e Parkman deram à guerra um lugar de destaque em suas obras, levaram a sério a ciência militar e puseram o clímax de batalhas no coração de suas histórias. No século 20, entretanto, a história assumiu uma direção mais científica, acadêmica, e muitos historiadores seguiram os cientistas sociais no caminho que afastava do campo de batalha.
Os líderes da influente "Escola dos Annales" de história social, que se desenvolveu na França no início do século 20, esvaziavam explicitamente a "história dos eventos" --que denotava história militar em especial-- em nome da ênfase em fatores econômicos, sociais e geológicos "mais profundos".
O mais importante annaliste, Fernand Braudel, atinha-se tão fortemente a esse princípio que foi capaz de produzir o copião de sua obra-prima, O Mediterrâneo, quando estava em um campo alemão de prisioneiros de guerra. Historiadores especialistas em século 20 resistiram mais do que outros a essa tendência (algo não surpreendente, dado o impacto cataclísmico das guerras mundiais), mas em análises de outros períodos a guerra perdeu sua posição outrora proeminente.
Desde a década de 1980, muitos historiadores passaram a buscar inspiração na crítica literária e na filosofia pós-moderna, mas também essas disciplinas compartilham da aversão das ciências sociais pela guerra. Michel Foucault, um dos filósofos contemporâneos de mais importância para historiadores, tinha um certo fascínio pela guerra, mas basicamente porque via a sociedade moderna promovendo ela própria uma "guerra silenciosa" por meio de um amplo espectro de práticas repressivas (invertendo a observação de Clausewitz, Foucault brincou dizendo que "a política é a continuação da guerra por outros meios").
Enquanto isso, na cena principal da historiografia resistem um desinteresse e uma ignorância surpreendentes da história militar pré-século 20. A American Historical Review, carro-chefe da profissão nos Estados Unidos, não publica um artigo sobre história militar napoleônica há mais de trinta anos.
A história militar não morreu, mas se tornou claramente segregada de outras áreas da história, quase uma disciplina à parte. Ela atrai muitos praticantes talentosos e originais, que, todavia, não formulam
geralmente o mesmo tipo de pergunta que seus colegas especializados em domínios outros que não o militar. Esses historiadores se concentraram no desenvolvimento da tecnologia, da tática e da estratégia, na motivação e na eficácia do combate, na composição social das forças armadas e no modo pelo qual soldados comuns vivenciaram o combate.
Um dos mais brilhantes e prolíficos dentre eles, John Keegan certa vez se queixou de que "os historiadores militares nem sequer iniciaram uma tentativa de tramar os marcos e as fronteiras intelectuais de seu próprio campo de operações". Por muito tempo, os historiadores militares lamentavelmente fizeram pouco para situar a guerra em um contexto cultural mais amplo.
Nos últimos anos, contudo, a situação finalmente começou a mudar. Na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, historiadores das idéias têm redescoberto o lugar central ocupado pela guerra e pela diplomacia no pensamento político pré-moderno. Na França, uma nova geração de especialistas no período revolucionário finalmente começou a exorcizar o fantasma do historiador diplomático do fin-de-siècle Albert Sorel, cuja história, bastante intimidadora, das relações internacionais durante a Revolução, era movida por uma insistência redutora na primazia dos interesses nacionais franceses.
Na Alemanha, historiadores culturais, como Michael Jeismann e Karen Hagemann, têm dedicado uma atenção renovada às formas modernas de militarismo e belicosidade. Em muito desse trabalho, Carl Schmitt permaneceu um ponto de referência proeminente e muito disputado. Não é coincidência que esse novo trabalho tenha começado a aparecer desde o fim da Guerra Fria e que a reflexão sobre o assunto tenha se intensificado desde 11 de setembro de 2001.
A competição entre a Otan e o Pacto de Varsóvia, com seu baixo contínuo* de guerra por procuração no Terceiro Mundo e sua ameaça de destruição mútua certa supostamente evitando um conflito aberto entre superpotências, fez parecerem muito distantes as esperanças utópicas e as lutas apocalípticas dos primeiros tempos da história contemporânea. Desde 1989, os paralelos e conexões passaram a se afigurar muito mais prementes e importantes. Tornou-se uma tarefa vital entender como a cultura moderna da guerra e da paz tomou forma.
A primeira guerra total enfrenta essa tarefa valendo-se tanto da história militar tal como tradicionalmente praticada quanto das formas de história cultural que se desenvolveram na última geração. Tento estabelecer algumas conexões entre esses campos injustamente separados, enfatizando tanto a centralidade da guerra para um período em relação ao qual ela tem sido ignorada pela maioria dos historiadores quanto a centralidade da cultura para as transformações militares que têm sido estudadas essencialmente a partir de um ponto de vista operacional.
Como estou lidando com um assunto muito amplo, há algumas coisas que necessariamente não fiz nas páginas que se seguem e, em prol da clareza, vale a pena dizer quais são elas. Em primeiro lugar, os leitores não encontrarão aqui um balanço sistemático das guerras revolucionárias e napoleônicas. Conforme diziam com certa frequência as pessoas que viveram o período, parecia por vezes que o
tempo se tornara insuportavelmente comprimido --"este quarto de século igualou muitos séculos", para citar Chateaubriand. Recontar as grandes batalhas por si só tornaria este livro duas vezes maior. De todo modo, os leitores podem buscar tal história em muitas outras fontes, a começar pelas magníficas histórias das guerras revolucionárias de Timothy Blanning, pela investigação sobre as campanhas de Napoleão de David Chandler e pelos estudos incisivos dos Exércitos da Revolução Francesa de Jean-Paul Bertaud e John Lynn.
Dois outros assuntos importantes são relativamente tangenciais para o lugar cambiante da guerra na imaginação europeia à época, e recebem, portanto, uma atenção também menor. Um deles é a economia. Não pretendo negar a importância da concorrência econômica para iniciar as guerras ou a importância dos recursos econômicos e dos sistemas de gasto e tributação para que se as deflagrem, sem falar da maneira pela qual a França de Napoleão elevou a prática da pilhagem a uma arte. Mas exceto onde a economia impingiu fantasias, mitos e representações da guerra --por exemplo, no estabelecimento, por pensadores do Iluminismo, de um elo entre paz e comércio--, eu não lhe dedico uma atenção sistemática.
O segundo desses assuntos --por mais doloroso que seja admiti-lo para um devoto de C. S. Forester e Patrick O' Brian-- é a guerra naval. Também não tenho intenção de negar a importância das marinhas no decorrer das guerras revolucionárias e napoleônicas. O domínio britânico dos mares, de modo geral, e as vitórias britânicas de Aboukir e Trafalgar, em particular, determinaram o resultado da guerra tanto quanto qualquer outro fator. A guerra naval, contudo, mudou muito menos do que a guerra terrestre durante esse período, e fora da Grã-Bretanha teve relativamente pouco a ver quer com o desenvolvimento da guerra total, quer com as crenças, histórias e mitos que dela surgiram.
Esta menção à Grã-Bretanha conduz a uma outra advertência. Embora as mudanças que examino fluíssem por toda a Europa, necessariamente me concentrei mais na França do que em qualquer outro país. A França esteve na encruzilhada do Iluminismo europeu; sua revolução e o surgimento de Napoleão foram eventos decisivos da época. O fenômeno da guerra total atingiu um terrível auge em 1793-1794, na região francesa da Vendeia.
O militarismo moderno, tal como o defino, originalmente tomou forma na França no final da década de 1790. E, claro, foi a França quem levou adiante as guerras do período, inicialmente sob o governo revolucionário de 1792-1799 e depois sob Napoleão. As conquistas de Napoleão foram mais longe na criação de um império em escala europeia do que qualquer coisa desde o tempo de Carlos Magno, talvez até dos césares.
Com muitos dos meus colegas historiadores abraçando atualmente a doutrina da "história mundial", uma última omissão pode soar aos leitores como problemática: trato apenas muito raramente do mundo além da Europa. Será que esta decisão pode ser justificada com razões outras além do propósito habitual de manter este livro em um tamanho razoável? Enquanto eu escrevia, colegas muitas vezes me sugeriram que as origens da guerra total moderna certamente seriam encontradas nas fronteiras imperiais do início da época moderna.
Certamente foi lá, muito antes da Revolução Francesa, que os europeus primeiro dispensaram noções de contenção cavalheiresca e empreenderam guerras brutais de extermínio contra supostos "selvagens". Ou os europeus não aprenderam o pior de seu comportamento em batalhas imperiais na Ásia, na África e nas Américas?
Na verdade, acredito que a resposta a essa pergunta é "não". Para começo de conversa, os europeus dificilmente necessitariam de impérios coloniais para aprender a arte do assassinato em massa. Os terríveis massacres das guerras religiosas da época da Reforma começaram muito antes de a maioria dos impérios europeus se transformar em algo muito maior do que entrepostos comerciais, e os piores exemplos ocorreram em estados alemães, que não tinham colônias.
O desenvolvimento dos impérios ultramarinos francês e britânico coincidiu com a introdução de relativas moderação e contenção da guerra na Europa, não com seu desaparecimento. As potências europeias muitas vezes cometeram atrocidades em suas fronteiras coloniais, mas é simplesmente errado pensar que elas normalmente se comportavam de maneira sistematicamente exterminadora em relação a populações autóctones. Muitos impérios europeus nesse período eram surpreendentemente frágeis e pouco difundidos.
Os europeus dependiam dos nativos, como parceiros comerciais, guias e aliados militares. As
potências europeias negociavam continuamente com as autoridades indígenas e, na verdade, tentavam instruí-las quanto aos ritos peculiares da guerra europeia. Episódios como a Guerra Franco-indígena --quando os franceses ajudaram a exterminar uma tribo de índios em uma região situada no que hoje corresponde ao estado americano de Wisconsin-- tendiam a ocorrer não como resultado de uma agressão planejada, mas quando essas redes e alianças frágeis se rompiam e quando europeus se viam envolvidos em guerras entre entidades indígenas.
Mesmo no século 19, como sugeriu Isabel Hull em um estudo recente sobre a porção alemã do leste africano, o ambiente colonial basicamente proporcionava aos europeus um laboratório para testar suas próprias ideias preexistentes sobre guerra. "Os alemães", conclui a autora, "não aprenderam nada da guerra colonial que não confirmasse sua ideia preconcebida sobre o modo correto de se lutar em guerras".
Isso se aplica com mais força ainda à França do século 18, por uma razão simples. Poucos anos atrás, o historiador francês Jean-Clément Martin confessou seu espanto quanto à absoluta incompetência dos revolucionários franceses que tentaram dar fim à insurgência sangrenta na região da Vendeia em 1793-1794. Certamente, especulou Martin, os soldados franceses haviam adquirido uma experiência considerável com guerras desse tipo, de guerrilha irregular, fora da Europa.
Mas será isso verdade? Embora muitos militares franceses houvessem combatido nas Américas, na Índia e na África nas décadas de 1770 e 1780, os distúrbios da Revolução atropelavam todo esse emaranhado de experiências. Mesmo antes da rebelião de Vendeia começar, quase todos os oficiais do Antigo Regime tinham renunciado ou sido dispensados, e os veteranos pré-1789 compunham uma minoria dos soldados rasos. A rigor, os Exércitos revolucionários inicialmente não tinham experiência colonial quase nenhuma. Eles logo a ganhariam, no entanto, especialmente, como veremos, no Egito e no Haiti. E então começariam a exportar a nova cultura de guerra da Europa para o resto do mundo, à custa do mundo.
Uma palavra final à guisa de introdução. Escrevi A primeira guerra total para leitores em geral, não para meus colegas historiadores. Tentei, portanto, na medida do possível, incrustar meus argumentos em apontamentos e histórias --eventualmente, algumas até muito impressionistas--, e não apenas em análises. Ao adotar essa abordagem, tive sorte em pelo menos um aspecto, pois poucos períodos oferecem uma concentração tão rica de eventos vívidos e cativantes --com muita frequência, aterradoramente cativantes. Poucos períodos proporcionam personagens tão incríveis, a começar pelo próprio Napoleão Bonaparte.
Ao descrever tais eventos e personagens, vali-me não apenas de minha própria pesquisa original, mas também, naturalmente, dos ricos canais de conhecimento especializado que se encontram na literatura acadêmica. Se tais qualidades não tornam o livro completo e definitivo sobre o assunto, e se os especialistas acharem que algumas histórias já são conhecidas, paciência.
O livro é uma viagem exploratória, não um levantamento exaustivo de um terreno arquivístico intacto. Mas vivemos um momento que necessita de ensaios acessíveis, pelo menos tanto quanto de monografias de peso. Pois como os americanos vêm descobrindo nos últimos anos, poucos assuntos são mais arriscados de se discutir de forma abstrata e árida, sem medida dos custos humanos envolvidos --sem ouvir os gritos, ver os corpos, cheirar a pólvora e o sangue-- do que a guerra.

LIVROS: A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL FOI A NAPOLEÔNICA - PARTE 1

Lendo o suplemento de literatura da Folha de São Paulo (Ilustríssima), me deparei com a introdução do do livro "Primeira Guerra Total" [Record, trad. Miguel Soares Palmeira, 546 págs., R$ 69,90], de David A. Bell. Na obra, o historiador americano relaciona as invasões napoleônicas aos conflitos internacionais que ocorrem atualmente, na era dos aviões não tripulados. Segundo o autor, a primeira guerra total, ou seja, situação em que as forças em combate estão dispostas a fazer qualquer sacrifício para conseguir a vitória, ocorreu na Europa do século 18. Lei a introdução abaixo.
*.*
Os anos de 1889 e 1890 foram de júbilo e esperança. Um regime poderoso e abominado não apenas ruiu inesperadamente, como o fez de modo surpreendentemente pouco violento. Em meio a suas ruínas, uma nova ordem internacional parecia tomar forma, construída a partir do respeito à paz, à democracia e aos direitos humanos. O momento pareceu tão transformador que muitos pensadores avançados previram nada menos do que o advento do fim da guerra.
A desilusão, no entanto, veio com velocidade cruel. Os anos seguintes não trouxeram paz, e sim uma violência ininterrupta, que as potências dominantes descobriram ser infelizmente difícil de conter. Rapidamente, a expectativa generalizada de fim da guerra deu lugar à igualmente difundida convicção de que uma era de conflito apocalíptico havia começado. De fato, argumentou-se amplamente que, para derrotar adversários malignos, agora era necessário travar guerras demoradas e de grandes proporções, com medidas outrora condenadas como bárbaras.
O curioso dessa descrição é que ela se aplica igualmente bem a dois séculos diferentes. Mais obviamente para nós, aplica-se ao período que se iniciou em 1989-1990. Mesmo antes de os alicerces apodrecidos da União Soviética terminarem de cair por terra, cientistas políticos de renome defendiam que o fim das guerras estava próximo. Alguns pensavam que o mundo simplesmente começava a banir os conflitos de larga escala.
Outros acreditavam que a paz viria da difusão da democracia, pois democracias supostamente não lutariam entre si. Francis Fukuyama, em um artigo famoso e injustamente desqualificado, associou o fim da guerra ao "fim da história", querendo com isso denotar o fim de conflitos em torno da forma apropriada de sociedade.
Em vez do fim das guerras, claro, seguiu-se uma intensificação do conflito e do perigo: na Guerra do Golfo, na Guerra dos Bálcãs e depois no forte distúrbio global iniciado em 11 de setembro de 2001. Em seguida aos horríveis ataques terroristas daquele dia, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, começou a caracterizar a luta entre o Ocidente e seus adversários como o confronto entre as forças da liberdade e as forças do mal.
Alguns célebres defensores de seu governo associaram isso à Segunda Guerra Mundial e advertiram que a própria sobrevivência do Ocidente estava por um fio. Alguns afirmaram que, para prevalecer, o Ocidente até mesmo deveria desconsiderar restrições ao comportamento militar. "Entre nós, mantemos a lei, mas quando operamos na selva, devemos também usar as leis da selva", escreveu o diplomata britânico Robert Cooper em um influente ensaio de 2002.
Pouco depois, os Estados Unidos e seus aliados começaram uma guerra preventiva no Iraque, iniciada com uma tentativa explícita de matar o chefe de Estado daquele país. Desde então, operações militares americanas envolveram uma série de conhecidas recaídas nas "leis da selva".
Nesse momento, é difícil saber como ou quando o período atual de instabilidade violenta e de perigo pode vir a acabar.
Tão distante, tão próximo. Porém, surpreendentemente, a descrição se aplica igualmente bem aos anos de 1789-1790, quando o colapso do Antigo Regime e o início da Revolução Francesa desencadeou imaginações esperançosas ao redor do mundo. Mesmo antes desses eventos, o pensamento avançado no Ocidente já começava a ver a guerra como um anacronismo em vias de desaparecer. Como escreveu um otimista clérigo inglês em 1784, "aproxima-se o tempo em que o som da trombeta e o alarme da guerra não mais serão ouvidos pela Terra".
Em 22 de maio de 1790, o novo governo revolucionário da França chegou ao ponto de publicar uma renúncia formal às "guerras de conquista", naquilo que foi chamado uma "declaração de paz ao mundo". Nela se prometia que dali em diante a França somente utilizaria suas forças armadas para a autodefesa. Apenas 23 meses mais tarde, contudo, a França invadiu a Bélgica, então sob domínio austríaco, iniciando um conflito que mobilizaria todas as principais potências europeias e continuaria, com breves intervalos, por mais de 23 anos, até a derrota final da França em 1815.
Desde o início, ambos os lados concebiam essa longa luta em termos apocalípticos: "uma guerra até a morte", como um de seus primeiros defensores franceses declarou, "que nós lutaremos [...] para destruir e aniquilar todos os que nos atacarem, ou para sermos nós mesmos destruídos".
Nenhum lado chegou ao ponto de praticar o extermínio explicitamente, mas guerras de guerrilha desesperadas e tentativas selvagens de reprimi-las geraram atrocidades por todo o continente em uma escala que não voltaria a ser alcançada até a Segunda Guerra Mundial. Como o próprio Napoleão Bonaparte explicou, antecipando Cooper, "custounos caro retornar [...] aos princípios que caracterizaram o barbarismo dos primórdios das nações, mas fomos compelidos [...] a lançar mão, contra o inimigo comum, das armas que ele utilizou contra nós".
Desnecessário dizer que os paralelos não podem ser exatos. A incrível amplitude do derramamento de sangue e destruição da Europa napoleônica --isto é, tanto a Europa em que Napoleão viveu como jovem oficial quanto aquela que ele veio a dominar como líder da França-- excedeu enormemente tudo o que se viu de 1989 para cá. Mas tampouco são os paralelos meros acasos. O final do século 18 e o início do 19 assistiram a mudanças fundamentais nas atitudes do Ocidente em relação à guerra e ao começo de um padrão histórico recorrente, do qual os eventos desde 1989 fornecem apenas o exemplo mais recente, embora também particularmente claro.
Nesse padrão, o sonho da paz perpétua e o pesadelo da guerra total estiveram vinculados de maneiras perturbadoras e complexas, cada qual a sustentar o outro. De um lado, uma ampla e persistente corrente de opinião pública continuou a ver a guerra como um fenômeno fundamentalmente bárbaro que deveria desaparecer de um mundo civilizado o mais rápido possível; de outro, houve uma tendência recorrente e poderosa a caracterizar os conflitos que efetivamente surgem como lutas apocalípticas a serem travadas até a destruição completa do inimigo e que poderiam ter sobre seus participantes um efeito purificador, quiçá redentor.
Hoje em dia, as linguagens indissociáveis da guerra e da paz definem os extremos do pensamento ocidental, em particular o americano, sobre o assunto, com "porta-vozes" de ambos os lados a desqualificar seus oponentes como espécies de loucos que negam a realidade: as pombas da paz "iludidas" versus os falcões "paranoicos" e "maníacos por guerra".
Alguns comentadores sofisticados interpretaram que essas linguagens refletem circunstâncias históricas recentes. Robert Kagan, por exemplo, estabelece um contraste: de um lado, está a Europa ocidental, que teria desfrutado de paz sem responsabilidades graças à proteção americana desde a Segunda Guerra Mundial, e que, consequentemente, esquiva-se da guerra; de outro, estão os Estados Unidos, que enfrentaram o tormento de ter um oponente após o outro. "Americanos são de Marte, europeus são de Vênus", conclui.
Mas, a rigor, essas linguagens tomaram forma muito antes da Segunda Guerra Mundial. E elas têm mais em comum entre si do que gostam de admitir os dois lados, pois em ambos os casos a guerra figura como algo totalmente excepcional, totalmente externo à ordem social estabelecida.
Não surpreende que intelectuais e políticos tenham com certa frequência se associado à ideia de que uma guerra final, aniquiladora, poderia paradoxalmente inaugurar o reino da paz perpétua. Para citar a mais famosa expressão dessa ideia, o tratado de H. G. Wells, The War That Will End War [A guerra que acabará com as guerras], de 1914: "Esta agora é uma guerra pela paz [...]. Esta, a maior de todas as guerras, não é apenas mais uma guerra-- é a última guerra!" Cento e vinte dois anos antes, o general e político francês Charles François-Dumouriez prometeu de forma semelhante: "esta guerra será a última guerra".
O fato de nós vermos a guerra através de lentes conceituais essencialmente estabelecidas e polidas dois séculos atrás na Europa não significa que nossa visão seja necessariamente distorcida. Obviamente, houve ocasiões em que o Ocidente esteve diante de um perigo apocalíptico.
Devemos, todavia, reconhecer o poder e a persistência dessas lentes, bem como os efeitos de distorção que elas podem ocasionar. Na década de 1990, uma relutância em utilizar força militar, em parte fundada na percepção da guerra como uma tolice anacrônica, levou ao sofrimento e à morte em massa nos Bálcãs e em Ruanda, enquanto estadistas ocidentais educadamente discutiam sanções e pressão política.
Apenas no primeiro caso eles por fim lembraram que existem bárbaros no mundo e que eles respondem somente ao uso da força. Considere-se também o seguinte: desde setembro de 2001, os Estados Unidos estão envolvidos em uma Guerra ao Terror que custou, até o momento, o mesmo número de vidas civis americanas que se perdem a cada duas semanas e meia em acidentes automobilísticos nas autoestradas do país. É o mesmo número de vidas que a União Soviética perdeu a cada seis horas, em quatro anos agonizantes, durante a Segunda Guerra Mundial.
Com todo seu desejo manifesto de adquirir armas de destruição em massa, nossos oponentes neste novo conflito até agora não demonstraram capacidade de empunhar nada mais poderoso do que facas, armas de fogo e explosivos convencionais. Isso pode até ser uma guerra, mas merece realmente comparação com a Segunda Guerra Mundial e seus 50 milhões de mortos? Nem todo adversário é uma ameaça apocalíptica. Mesmo assim, as linguagens com as quais estamos acostumados a discutir guerra e paz tornam difícil fazer emergir esta afirmação. Dito de modo simples, tornou-se muito difícil discutir guerra em termos não apocalípticos.
Por que isso ocorre? Por que o Ocidente sempre retorna àquelas concepções indissociáveis do fim da guerra e da guerra apocalíptica? Não se pretende aqui oferecer uma resposta a toda essa ampla questão. Neste livro, contudo, exploro como e por que o padrão começou. No centro da história está uma transformação extraordinária. Durante o século 18, bem como em séculos anteriores, a maioria das culturas ocidentais aceitava a guerra como uma faceta inevitável, e comum, da existência humana.
Governantes ocidentais viam a guerra como seu principal propósito e lutavam continuamente --durante o século 18, não mais do que seis ou sete anos se passaram sem ao menos uma grande potência europeia estar em guerra. Mas desde o fim dos terríveis conflitos religiosos da Reforma, as guerras se tornaram algo relativamente fácil de controlar e restringir. Os Exércitos eram relativamente pequenos; as grandes batalhas, relativamente pouco freqüentes (embora devastadoras, quando ocorriam); e os civis, relativamente bem tratados. De modo geral, líderes militares viam seus adversários como pares dignos de respeito. Isso não significa dizer que a guerra não fosse aterrorizadora.
A guerra é algo aterrorizador por definição. Mas os historiadores precisam ser capazes de distinguir graus de horror, e, se o século 18 não reduziu exatamente cães de guerra a "cãezinhos amestrados" (como Sir Michael certa vez formulou jocosamente), seus conflitos ainda estão entre os menos terríveis da história europeia.
Essas condições de guerra quase permanente e ao mesmo tempo controlada pareciam inteiramente naturais e apropriadas aos nobres que lideravam os Exércitos europeus sob o Antigo Regime. Isso permitia que os valores aristocráticos da honra e do serviço tivessem uma expressão perfeita sem ameaçar seriamente a estabilidade e a prosperidade sociais. A guerra decerto funcionava como uma espécie de teatro da aristocracia, assim como ocorria com as cortes reais da época. Na guerra, vidas e valores aristocráticos eram ostentados em meio a esplendor, refinamento, bravura e demonstrações de autoconfiança absoluta. As elites europeias do século 18 supunham que esse mundo duraria para sempre. Não se deram conta de que estavam à beira do eclipse total.
A transformação teve origem no plano intelectual. Durante o grande movimento de ideias a que hoje chamamos Iluminismo, pensadores influentes começaram a argumentar que o estado de guerra permanente talvez não fosse, de fato, o destino inexorável da humanidade. As sociedades humanas, segundo eles, seguiam um mesmo caminho de evolução histórica, do princípio selvagem a níveis cada vez mais elevados de civilização, gentileza e comércio pacíficos.
Desse ponto de vista, a situação então prevalecente de guerra restrita não representava um equilíbrio natural, mas sim um estágio no caminho rumo ao desaparecimento completo da guerra. Nos tempos modernos, a guerra logo se tornaria um estado de coisas detestável e excepcional, um vestígio grotesco da infância violenta do homem.
Esses pensadores não eram de modo algum os primeiros profetas da paz perpétua: pacifistas filosóficos e religiosos os precederam em muito tempo. Mas para cristãos devotos, em particular, o fato inescapável do pecado original implicava que um reino de paz somente pudesse resultar de uma mudança divina da natureza humana.
Os pensadores do século 18, ao contrário, descreviam a paz como a culminação de mudanças sociais inteiramente naturais, que já eram visíveis e ocorriam segundo leis cientificamente observáveis. Essa diferença os tornou os pacifistas mais convincentes, e aparentemente mais realistas, que o mundo
jamais conhecera, e suas ideias rapidamente se tornaram senso comum entre europeus letrados, incluindo até mesmo muitos nobres e oficiais militares.
Mas ao mesmo tempo em que essas ideias ganhavam popularidade, outros europeus começaram a encarar o abismo da guerra e a ver não somente algo terrível, mas também algo cercado por um terrível fascínio, até mesmo por uma terrível qualidade sublime. Eles começaram a ver na guerra o teste final de uma sociedade e de um indivíduo; começaram a imaginá-la como uma experiência elementar, purificadora, redentora até-- e talvez, portanto, como uma experiência desejável.
A guerra poderia até ser fundamentalmente estranha a um modo de vida civilizado, mas seria a "civilização" necessariamente uma bênção? Não poderia a guerra servir como um corretivo à corrupção e à mesquinharia da existência civilizada? "A guerra é um dos fenômenos mais saudáveis para o cultivo da raça humana", escreveria o sábio alemão Wilhelm von Humboldt. "É o extremo concebível do assustador." Essa nova glorificação da guerra não marcou, entretanto, um retorno a sua anterior compreensão aristocrática. Ao contrário: a guerra continuou a ser vista como um estado de coisas excepcional e extremo, e não como uma faceta corriqueira da existência humana.
Para os entusiastas, já não era uma questão de autocontrole aristocrático, de estabelecer uma reputação emulando um modelo impessoal de glória. A guerra estava se tornando uma questão de autoexpressão romântica. Na verdade, o próprio conceito e a própria experiência do "eu" na guerra estavam mudando. Antes da Revolução Francesa, ideias desse tipo tinham pouco impacto nos governantes europeus e menos ainda na conduta de guerra, mas durante os primeiros três anos da Revolução (1789-1792), um dos mais importantes momentos de fermentação política e cultural de toda a história, elas explodiram na cena principal do debate político no maior e mais poderoso estado europeu.
Durante o mesmo período, a aristocracia francesa perdeu sua posição predominante no Estado e nas Forças Armadas de seu país e viu-se alvo de uma hostilidade revolucionária visceral. Como resultado dessas mudanças, quando a França pegou em armas em 1792, não foi para combater algo como as guerras limitadas conhecidas das potências do Antigo Regime.
O que se seguiu merece o adjetivo "apocalíptico". Os conflitos de 1792 a 1815 não testemunharam nenhum grande avanço da tecnologia militar, mas a Europa mesmo assim experimentou uma transformação extraordinária no escopo e na intensidade da guerra. Os números falam por si próprios. Mais de um quinto de todas as grandes batalhas travadas na Europa entre 1490 e 1815 ocorreram exatamente nos 25 anos depois de 1790. Antes de 1790, apenas um punhado de batalhas tinha envolvido mais de 100 mil combatentes.
Em 1809, a batalha de Wagram, então a maior jamais vista na era da pólvora, envolveu 300 mil. Quatro anos mais tarde, a batalha de Leipzig mobilizou 500 mil, dos quais 150 mil foram mortos ou feridos. Durante o período napoleônico, a França sozinha contabilizou quase um milhão de mortos de guerra, possivelmente uma proporção mais alta de seus jovens do que aqueles mortos na Primeira Guerra Mundial. Na Europa inteira, o número total de vítimas pode ter chegado a 5 milhões. Em um processo sem precedentes, as guerras trouxeram alterações significativas no território ou no sistema político de cada um dos Estados europeus.
A luta de guerrilha deixou feridas abertas em regiões da Espanha, da Itália, da Áustria, da Suíça e da própria França. Essa, portanto, foi a primeira guerra total. O conceito de "guerra total" merece uma explicação. Sua ressonância é enorme, e muitos historiadores usaram-no para descrever as guerras de 1792-1815. Parece também, contudo, tratar-se de um daqueles conceitos que ficam mais confusos à medida que dele nos aproximamos.
"Guerra total" é frequentemente definida como aquela que envolve a mobilização completa dos recursos de uma sociedade para atingir a destruição absoluta de um inimigo, apagando-se qualquer distinção entre combatentes e não combatentes. Essa formulação parece, à primeira vista, bastante clara. Mas será que alguma guerra real corresponde a esse padrão ideal? (Até mesmo um conflito termonuclear de grandes proporções não envolveria a mobilização de todos os recursos de uma sociedade!).
Caso a resposta seja negativa, o que determina qual guerra se aproxima suficientemente do ideal para se qualificar como "total"? As ambiguidades são tantas que um estudioso importante, Roger Chickering, chegou perto de concluir que o conceito deveria ser simplesmente descartado.
Creio que "guerra total" continua a ser um termo útil, mas apenas quando aplicado à guerra em um contexto político e cultural amplo. O que marcou os conflitos iniciados em 1792 não foi simplesmente seu escopo e sua intensidade radicalmente novos, mas também a dinâmica política que conduziu de modo inexorável os participantes em direção a um engajamento total e ao abandono dos limites. Mesmo antes de a França atacar a Áustria, muitos dos líderes políticos franceses tinham passado a ver a guerra dessa nova maneira, como um extremo insondável, estabelecido fora das fronteiras ordinárias da existência social, que poderia terminar apenas em vitória total ou em derrota total.
Essa visão levou a França a declarar guerra, não obstante lhe faltassem objetivos claros, práticos e estratégicos; produziu a convicção difundida de que os inimigos da França haviam eles próprios se inclinado a uma "guerra de extermínio"; ajudou a demonizar as populações inimigas e tornou quase impossível enxergarem-se soldados inimigos como adversários respeitáveis e não combatentes inimigos como espectadores inocentes; levou a França a conquistar cada vez mais territórios como uma zona de contenção contra aqueles inimigos e a impor reformas revolucionárias mesmo onde isso se desse ao preço de graves levantes. Tais ações levaram os inimigos da França, especialmente os rebeldes contrários às ocupações francesas, a adotar uma visão igualmente radical do conflito.
Em suma, os franceses defensores da guerra estabeleceram uma corrida ao abismo que não podia ser facilmente revertida, mesmo depois de terem eles próprios saído de cena. Napoleão Bonaparte, a despeito de seu gosto pela conquista, não era um defensor consciente da guerra total (e menos ainda o lendário megalomaníaco sedento por sangue). Foi, contudo, a intensificação radical da guerra que lhe deu destaque e poder, e, no fim, ele já não podia contê-la: Napoleão foi, sucessivamente, produto, senhor e vítima da guerra total.
Como argumentou de modo convincente o estudioso francês Jean-Yves Guiomar, é essa fusão entre política e guerra que distingue uma "guerra total" moderna de incidentes anteriores em guerras sem restrições e mesmo de extermínio. De conflitos assim, desnecessário dizer, a humanidade guarda um longo e lamentável registro antes do século 18. Tais conflitos não tiveram, no entanto (exceto em algumas áreas geograficamente confinadas, como as cidades-Estado), tentativas concertadas de subjugar, com fins exclusivamente militares, sociedades inteiras.
Esse fator é o que aproxima os conflitos de escala continental de 1792-1815 das guerras mundiais do século 20. Efetivamente, o termo "guerra total" surgiu na França e na Alemanha no fim da Primeira Guerra Mundial, não apenas para descrever as lutas, mas também para ajudar a vislumbrar conflitos ainda mais violentos, nos quais as nações concentrariam todas as forças disponíveis para um golpe único, poderoso, destruidor. No discurso que na Segunda Guerra Mundial conferiu uma notoriedade especial ao termo --Joseph Goebbels gritando para uma multidão de nazistas no Palácio de Esportes de Berlim "Wollt ihr den totalen Krieg?" ("Vocês querem guerra total?")--, ainda se fazia referência a um futuro a ser realizado, não ao passado ou ao presente.
Convocações ao engajamento total, observa Guiomar, tenderam a vir muito mais de líderes políticos civis do que de militares profissionais. Esse é, portanto, o argumento essencial de A primeira guerra total. As transformações intelectuais do Iluminismo, seguidas pela fermentação política de 1789-1792, produziram novas maneiras de entender a guerra que tornaram possível a intensificação cataclísmica dos combates pelos 23 anos seguintes. Desde então, os mesmos processos deram forma ao modo pelo qual as sociedades ocidentais enxergaram o conflito militar e nele se engajaram.
Esse é um argumento novo. Entre os historiadores, o senso comum há muito atribui a intensificação da guerra depois de 1792 a dois diferentes fatores. Primeiro, eles citam a ideologia revolucionária, sugerindo que as guerras ganharam corpo a partir do conflito entre sistemas de crença fundamentalmente incompatíveis, um radicalmente igualitário e outro conservador e hierárquico. Depois, eles invocam o nacionalismo, argumentando que, embora guerras anteriores houvessem lançado casas dinásticas umas contra as outras, esses novos conflitos ocorreram entre nações inteiras que chegavam a novos estágios de autoconsciência.
Tanto ideologia quanto nacionalismo desempenharam papéis imensamente importantes na história desse período. Mas seriam eles os principais fatores conducentes à intensificação da guerra? Ambas as explicações datam do próprio período em questão e ecoam de forma muito clara justificativas para a guerra dadas à época. Por exemplo, o conservador britânico Edmund Burke, em 1796: "É contra uma doutrina armada que estamos em guerra [...] se ela puder existir, prevalecerá."
Ou o futuro estrategista militar Carl Von Clausewitz, em 1812: "[Agora] não é o rei quem trava guerra contra o rei, nem um Exército contra outro Exército, mas um povo contra outro povo". Ademais, ambas as explicações reduzem a guerra a pouco mais do que um instrumento de objetivos políticos cambiantes. Nenhuma delas faculta qualquer objetivo de se tratar a guerra como uma atividade significativa e dinâmica por si mesma, que por sua vez tem efeitos profundos e complexos na política e na cultura (não surpreende que a famosa definição da guerra como "a extensão da relação política, conduzida por outros meios" deriva do período --do próprio Clausewitz).

AGENDA DA RIO +20 SOFRE CRÍTICAS DE AMBIENTALISTAS

Segundo a Folha de São Paulo, o embaixador Rubens Ricupero  deve encaminhar ao governo brasileiro um documento, subscrita por várias personalidade importantes na seara embientalista como físico José Goldemberg, da USP, e o ex-deputado ambientalista Fábio Feldmann, criticando a pauta da Rio +20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável que acontecerá em junho, no Rio. De acordo com Ricupero, a organização da Rio +20 está marginalizando o tema ambiental e erra ao abordar vários assuntos relacionados ao desenvolvimento sustentável de maneira desfocada.
"O Brasil vive insistindo que temos de ver o lado econômico, o ambiental e o social do desenvolvimento sustentável. Mas qual é o foco? Ninguém sabe. O foco é tudo", disse Ricupero durante uma reunião sobre a Rio +20 promovida pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
"Essa abordagem é incorreta. As pessoas não percebem que o ambiente é a condição de possibilidade dos pilares econômico e social. O foco da conferência Rio +20 deve ser ambiental", disse Recupero.
Comento: Na verdade, essa abordagem, colocando no centro do debate a dimensão ambiental e em segundo plano os aspectos econômicos e sociais, está ultrapassada e contraria a própria essência do mantra ambientalista de que o ser humano é o objetivo final das políticas de preservação ambiental.Para o embaixador, a agenda da Rio +20 deixa de fora um alerta sobre problemas ambientais urgentes, como a extinção acelerada de espécies por causa de mudanças que afetam o clima.
"O que nos separa da última era glacial é uma diferença de 5 graus Celsius. Se nós tivermos mais 5 graus Celsius a partir de agora, não sabemos o que vai acontecer."
Comento: Certamente, em uma "escolha de Sofia", melhor seria um aquecimento do que uma nova era glacial. Todo progresso e prosperidade humana ocorreu principalmente durante os períodos mais quentes. O frio está associado a fome e doenças. Contudo, a movimentação de Ricupero contra a pauta da conferência é simbólica. Ele foi um dos principais nomes da Eco-92, responsável pelo capítulo financeiro do documento resultante da reunião. Ricupero também já foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Amazônia e do Meio Ambiente de 1993 a 1994.
Antes de ser enviado ao governo, o documento será revisado por cientistas e pelo Fórum dos Ex-Ministros do Meio Ambiente, criado para discutir o Código Florestal. A ideia é que o texto seja incluído na agenda do encontro no Rio. "Mas, se isso não acontecer, queremos que ele seja incluído no debate da sociedade civil", disse.
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Fonte: Folha de São Paulo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

ADVOGADOS TRABALHAM MUITO E DORMEM POUCO, SEGUNDO PESQUISA AMERICANA

De acordo com a pesquisa realizada pelo Centro de Controle de Doenças e Prevenção e Pesquisa Nacional de Saúde americanos, nenhuma profissão analisada, no contexto ianque, possibilita ao profissional da área às oito horas de sono recomendadas por noite. As informações contidas no estudo são baseadas nas respostas de 27.000 adultos que foram entrevistados sobre hábitos de sono.
Veja a lista completa de profissões mais privadas de sono:
1. Profissionais de saúde que trabalham em casa
2. Advogados
3. Policiais
4. Médicos
5. Economistas
6. Assistentes sociais
7. Programadores de computador
8. Analistas financeiros
9. Operadores de construção
10. Secretários
Comento: Apesar da pesquisa ter sido realizada nos EUA, acredito que retrata um padrão presente em todo o ocidente. Assim sendo, a ausência dos Políticos e Juízes dentre aqueles que mais trabalham e, portanto, dentre os que dormem menos,  era esperada, apesar destes profissionais reclamarem da "sobrecarga" de serviços e justificarem, em função do desgastes e estresse, férias mais longas e mordomias em cascatas!
As profissões mais descansadas não se saíram muito melhor, com média de apenas alguns minutos preciosos de sono a mais do que as profissões mais privadas de sono. Os mais descansados são os:
1. Trabalhadores florestais e madeireiros
2. Cabeleireiros
3. Representantes de vendas
4. Barmans
5. Trabalhadores de construção
6. Atletas
7. Paisagistas
8. Engenheiros
9. Pilotos de aeronaves
10. Professores (SSSSinistro!!?)
Os especialistas afirmam que, não importa sua profissão, nível de estresse ou se você trabalha ao ar livre ou em uma mesa, a qualidade do sono pode ter efeitos sobre a força de trabalho. Sendo assim, as pessoas devem fazer um balanço dos seus hábitos de sono e fazer melhorias sempre que possível. 
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Fonte: [Hyperscience]

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CONGRESSO NACIONAL DISCUTE CÓDIGO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Representantes da academia e das empresas estão clamando pela aprovação de uma Lei que crie mecanismos para estimular a aproximação entre centros de pesquisa e empresas privadas na concepção de novos produtos e processos produtivos.
Projeto de lei com esse objetivo, conhecido como Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, foi proposto pelo meio acadêmico ao governo, que enviou o texto ao Congresso Nacional no ano passado.
"É hora de o Brasil - que já tem Código de Trânsito, Código Penal, Código Florestal - ter também um código para a ciência, tecnologia e inovação. Isso vai ajudar o país a acelerar o seu desenvolvimento científico e tecnológico", avalia o presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Mario Neto Borges.
Em sua opinião, o código, que tramita simultaneamente na Câmara dos Deputados (Projeto de Lei 2177/11) e no Senado (Projeto de Lei 619), pode permitir maior inserção internacional da ciência feita no Brasil e aprimorar a fiscalização dos órgãos de controle. Cientistas e empresários se uniram em apoio a novas leis para pesquisa e Inovação.
Entre as principais modificações introduzidas pelo proposto Código Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação está um regime diferenciado para a aquisição de bens e contratação de serviços.
Pela proposta, as instituições de pesquisa não precisarão mais cumprir todas as diretrizes da Lei de Licitações (Lei nº 8.666/1993) e do Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos (Lei nº 8.112/1990).
Conforme o texto em tramitação simultânea no Senado e na Câmara dos Deputados, as aquisições e contratações de equipamentos e materiais para as entidades de ciência, tecnologia e inovação (ECTIs) públicas poderão fazer seleção simplificada de fornecedores (a partir de três orçamentos colhidos em prazo de até 15 dias) ou mesmo contratações diretas, quando o valor global não ultrapassar os R$ 30 mil.
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Flexibilizar exigências
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A proposta também prevê que o pesquisador público sob regime de dedicação exclusiva poderá, "desde que sem prejuízo das atividades de ensino e pesquisa", exercer atividades remuneradas de pesquisa e inovação em ECTIs privadas.
Para a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, o código poderá "mudar alguns paradigmas" e flexibilizar as exigências legais que hoje chegam a inviabilizar atividades em laboratórios e centros de pesquisa, embora ela deixe claro que não gosta do termo flexibilização.
"Flexibilizar dá uma conotação ruim, como fechar os olhos. Mas não é isso que queremos. Queremos ter o direito de exercer a função corretamente. Hoje está impossível", avalia.
Segundo Helena, auditores e fiscais de órgãos de controle costumam ter interpretações diferentes sobre a legislação de prestação de contas. "É preciso ter uma interpretação homogênea da lei", observa. Para a presidente da SBPC, isso atrapalha o andamento de estudos e projetos e traz insegurança jurídica aos pesquisadores.
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Contradições
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Em parte, segundo os cientistas, a insegurança jurídica é causada pelas contradições das normas. "A Instrução Normativa 01/1993 impede que o servidor público faça alguma atividade fora da dedicação exclusiva dele. Por outro lado, a Lei de Inovação, de 2006, incentiva o pesquisador a promover a inovação fora da academia. Essas leis são contraditórias", reclama Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).
Borges ressalta que "o arcabouço legal usado para ciência, tecnologia e inovação não foi desenvolvido para esta finalidade. É totalmente inadequado, está impedindo as atividades de CT&I [ciência, tecnologia e inovação] ou, no mínimo, dificultando que essas ações possam ocorrer na velocidade desejada."
O gerente de Inovação do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Célio Cabral, concorda que o marco legal em vigor dificulta a atividade de pesquisa e inovação e lembra que, com boa intenção, o "arcabouço legal utilizado para a contratação de serviços e aquisição de bens foi feito para tentar impedir a corrupção".
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Alegações justas
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O procurador Marinus Eduardo Marsico, integrante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União (TCU), admite que "são justas" as alegações dos pesquisadores, porém lembra que a Lei de Licitações prevê a dispensa de exigibilidade.
"Nem todas as atividades podem seguir todos os ritos", diz. Para Marsico, a discussão deve ser feita no âmbito da lei em vigor. De acordo com ele, a criação de regime diferenciado para cada atividade específica "pode ser um desastre para a administração pública".

EVIDÊNCIA HISTÓRICAS DA RESSUREIÇÃO DE JESUS SÃO ENCONTRADAS POR ARQUEÓLOGOS

Segundo o Jornal Estado de São Paulo, repercutido notícia veiculada pela agência francesa Efe, um grupo de arqueólogos e especialistas em assuntos religiosos apresentou em Nova York as conclusões de uma pesquisa que apresenta indícios da ressurreição de Jesus a partir de um túmulo localizado em Jerusalém há três décadas.
"Até agora me parecia impossível que tivessem aparecido túmulos desse tempo com provas confiáveis da ressurreição de Jesus ou com imagens do profeta Jonas, mas essas evidências são claras", afirmou nesta terça-feira (28/02) professor James Tabor, diretor do departamento de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte, um dos responsáveis pela pesquisa.
O túmulo em questão foi descoberto em 1981 durante as obras de construção de um prédio no bairro de Talpiot, situado a menos de quatro quilômetros da Cidade Antiga de Jerusalém. Um ano antes, neste mesmo lugar, foi encontrado um túmulo que muitos acreditam ser de Jesus e sua família.
Ao lado do professor de Arqueologia Rami Arav, da Universidade de Nebraska, e do cineasta canadense de origem judaica Simcha Jacobovici, Tabor conseguiu uma permissão da Autoridade de Antiguidades de Israel para escavar o local entre 2009 e 2010. Em um dos evólucros da das ossadas encontradas, que os especialistas situam em torno do ano 60 d.C., é possível ver a imagem de um grande peixe com uma figura humana na boca, que, segundo os pesquisadores, seria uma representação que evoca a passagem bíblica do profeta Jonas.
A pesquisa, realizada com uma equipe de câmeras de alta tecnologia, também descobriu uma inscrição grega que faz referência à ressurreição de Jesus, detalhou à Agência Efe o professor Tabor, que acrescentou que essa prova pode ter sido realizada "por alguns dos primeiros seguidores de Jesus".
"Nossa equipe se aproximou do túmulo com certa incredulidade, mas os indícios que encontramos são tão evidentes que nos obrigaram a revisar todas as nossas presunções anteriores", acrescentou o especialista, que acaba de publicar um livro com todas as conclusões de sua pesquisa, "The Jesus Discovery".O professor reconhece que suas conclusões são "controversas" e que vão causar certo repúdio entre os "fundamentalistas religiosos", enquanto outros acadêmicos seguirão duvidando das evidências arqueológicas da cristandade.
Anteriormente, essa mesma equipe de pesquisadores participou do documentário "O Túmulo Secreto de Jesus", produzido pelo cineasta James Cameron. Na obra, os arqueólogos encontraram dez caixões que asseguram pertencer a Jesus e sua família, incluindo Virgem Maria, Maria Madalena e um suposto filho de Jesus. Segundo o documentário, as ossadas encontradas supostamente apresentavam inscrições correspondentes às identidades de Jesus e sua família, o que acabava reforçando a versão apresentada no livro "O Código da Vinci", de Dan Brown, o mesmo que indica que Jesus foi casado com Maria Madalena e que ambos teriam tido um filho juntos. São essas conclusões, que dava sustentação a tese da descendência de Jesus, que Tambor afirma estar superada, considerando a possibilidade, agora arqueologicamente demonstrada, da morte e ressureição de Cristo.
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Fonte: Jornal Estado de São Paulo

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A VIOLÊNCIA POLICIAL E A SOCIEDADE ALTAFLORESTENSE: REFLEXÕES!

Sandro Nasser Sicuto*

A proteção e defesa das pessoas de bem e das instituições democráticas e republicanas são, dentre outras, as mais destacadas finalidades da polícia estatal. Quando a ação policial se degenera em abusos e graves erros de conduta, em grande parte gerados pela má formação do policial e da seleção deficiente do profissional da segurança pública, quem sofre as consequências nefastas é a população, indistintamente de sua condição social e econômica.
Recentemente, dois episódios ocorridos em Alta Floresta em dezembro de 2011 e janeiro de 2012 são emblemáticos, revelando o quanto a Polícia é truculenta, despreparada e inconsequente e a população indefesa e apática diante dos abusos: O primeiro é a morte da jovem Natália Marina de Carli Canhos, filha de João Canhos, atropelada por uma viatura da Polícia Militar desgovernada, ocorrida em 17 de dezembro de 2011; o segundo, é a desastrada ação do Grupo Tático da Polícia Militar que utilizou táticas agressivas, adequadas para o combate à seqüestradores e assaltantes de banco, para controlar o Médico Dr. Fábio Nishikawa, filho do Dr. Mário Nishikawa, acometido de um surto psicótico, ocorrido em 19 de janeiro de 2012, e que foi notícia em todo o país.
Nos dois episódios a polícia se portou errada e equivocadamente causando, no primeiro caso, a morte de uma jovem e a tristeza profunda de uma família e, no segundo, a exposição pública e desnecessária de uma transitória instabilidade emocional de um jovem médico, gerada pela ação espalhafatosa e espetaculosa da polícia, com consequências danosa para a imagem e a reputação do clínico.
Quando situações como essas vem à tona, somos obrigados a refletir e questionar. Afinal, quem controla a Polícia? O Comando local e regional da Polícia? O Comando Superior? A Corregedoria da Polícia? O Secretário de Estado de Segurança Pública? O Governador do Estado? Aparentemente ninguém é capaz de impor disciplina às corporações e seus efetivos e punir excessos da polícia.
Para maior desalento, as explicações sempre são evasivas e insatisfatórias nas palavras anódinas das autoridades policiais, que justificam a demora na punição dos culpados dos crimes perpetrado à necessidade de apurar as denúncias extensamente preservando o direito de defesa do acusado.
Garantir ao policial acusado o direito a ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, prerrogativas e garantias individuais com foro constitucional, não deveria ser argumento defensivo para justificar a impunidade dos maus agentes de segurança. O afastamento ou a suspensão do policial ou policiais suspeitos de infringirem os estatutos deveria ser medida administrativa de aplicação imediata e preventiva, evitando assim que o agente volte a cometer ilícito ou interfira com as investigações intestinas dos órgãos corregedores ou pelo Poder Jurisdicional. 
Pior que um Polícia ou força policial despreparada e desmotivada, que não reprime o crime e não protege o cidadão, é a Polícia truculenta, celerada, licenciosa e violenta que não respeita a Lei, a população e as instituições democráticas e republicanas.
Aliás, a população se sente desamparada e desorientada porque, a par dessas barbaridades cometidas pelas forças policiais contra cidadãos honestos, indefesos e inocentes, a violência tem aumentado vertiginosamente em Alta Floresta, particularmente os crimes contra a vida e contra o patrimônio emoldurados pelo florescente mercado negro das drogas ilícitas.
O poder de polícia deve ser exercido com discricionariedade, sem exorbitar para a arbitrariedade. Já nos ensinava J. Cretella Júnior Cretella Júnior, que   “Pode a polícia preventiva fazer tudo quanto se torne útil a sua missão, desde que com isso não viole direito de quem quer que seja. Os direitos que principalmente confinam a atividade de polícia administrativa são aqueles que, por sua excepcional importância, são declarados na própria Constituição.”(in Manual de Direito Administrativo, 2a Edição, Editora Forense, 1979, 31/32).
Para tanto, o poder de polícia deve ser exercido norteado pelas condicionantes da legalidade, realidade e razoabilidade. Assim, quando a ação policial não encontra respaldo na lei, agride a baliza da legalidade. Quando o ato de polícia para se consumar causa dor, dano físico e psicológico, ofende a baliza da razoabilidade. Da mesma forma, quando a ação policial da administração é baseada em conjecturas ou invencionices, ofende a baliza da realidade.Sempre temos que ter em mente as lições de Henry David Thoreau sobre o Estado e suas obrigações para com o cidadão:
 “A autoridade do governo, mesmo aquela à qual eu desejo me submeter, - porque eu obedecerei vivamente aquele que possam fazer tal bem, - ainda é impura: para ser estritamente justo, ela deve ter a sanção e o consentimento dos governados. Ela não pode ter nenhum direito puro sobre a minha pessoa e propriedade, apenas o que lhe conceda ... existirá um Estado realmente livre e esclarecido, quando o Estado chegar a reconhecer o indivíduo como um poder maior e independente do qual a autoridade é derivada, e tratá-lo de acordo com isto. Eu fico imaginando um Estado que possa ser justo para todos os homens, e tratar os indivíduos com respeito como a um vizinho.” ( in Civil Disobedience and Other Essays, New York, Dover Publications, 1993, p. 1.).
A Polícia e o Poder de Polícia, tanto quanto o Estado da qual decorrem, só existem porque os homens delegaram legitimamente poder aos órgãos de segurança para manter a ordem a paz pública. Os homens abdicaram do direito primitivo de fazer Justiça com as próprias mãos, evitando as eternas querelas e vendetas, em favor do Estado que modernamente detém o monopólio do Poder de Polícia. Todavia, os poderes delegados às forças policiais não são uma forma de outorga de poder sem responsabilidades, sem limites e balizas, sem obrigações de informar, de relatar e de se explicar para a população a atuação da polícia.
De qualquer forma, a ausência do Comando da Polícia Militar na reunião promovida pelo Rotary Clube Centro de Alta Floresta, em 23 de fevereiro de 2012, é sintomática, porque revela um desrespeito das autoridades policiais com a sociedade civil e com a democracia, mas também é reveladora porque representa um reconhecimento de erro, uma "mea culpa", externada pela ausência do Comando da Polícia Militar de Alta Floresta no evento, destinado ao esclarecimento dos fatos.
Os lamentáveis fatos ocorridos em Alta Floresta não podem ser esquecidos simplesmente, deixando a dor, o opróbrio público e a vergonha ser suportada pelas vítimas e seus familiares. A sociedade civil e as instituições republicanas devem exigir a apuração dos fatos e a punição exemplar dos responsáveis e permanecer mobilizada contra os atos de truculência e abuso de poder da força policial, sinais de uma sociedade que gesta um regime tirânico.
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* Sandro Nasser Sicuto é Advogado, Professor Universitário, Coordenador do CODAM.