domingo, 19 de fevereiro de 2012

FAÇA VOCÊ MESMO: A ASPIRINA

Está na Bíblia, em Levíticos: as folhas e galhos do salgueiro que nasce nos riachos são medicinais. Há 2400 anos, Hipócrates já recomendava folhas de salgueiro para doenças e trabalhos de parto. Aliás, Hipócrates escreveu no século V a.C. sobre um pó amargo extraído da casca do salgueiro que poderia aliviar dores e reduzir febres. Este remédio é também mencionado em textos do Antigo Egito, Suméria e Assíria. Os índios nativos americanos usavam-na para combater a dor-de-cabeça, febre, dores musculares, reumatismo e calafrios.
Todavia, foi somente em 1763 que Edmund Stone deu o primeiro passo em direção à descoberta de um dos medicamentos mais utilizados atualmente. Ele notou que a casca do salgueiro (Salgueiro Branco) propiciava um tratamento efetivo para paciente que sofriam de um determinado tipo de febre. Para Stone, a explicação para o efeito da casca do salgueiro era muito simples. Segundo ele “o remédio de muitos males naturais estão sempre situados próximos às suas causas”. De fato, o salgueiro cresce nas mesmas regiões onde se pode adquirir a febre que pode ser tratada com sua casca.
Salgueiro-branco
O salgueiro-branco é um salgueiro nativo de zonas temperadas, como o centro e o sul da Europa, o norte da África e o oeste asiático, ainda que, em menor quantidade, também pode ser encontrado na América do Norte.  O nome deriva das folhas, que são mais claras que a maioria dos salgueiros, devido a uma cobertura muito fina acetinada, prateada na sua parte inferior. As folhas têm tipicamente de 5 a 10 centímetros de comprimento e de um a um centímetro e meio de largura.
Cinqüenta anos depois de Stone o princípio ativo da casca do salgueiro foi finalmente isolado e denominado salicina, nome que deriva da palavra latina salix, que quer dizer “salgueiro”. E mais cinqüenta anos seria necessário para uma síntese industrial desse composto fosse possível. Nessa época, o composto já era conhecido como ácido salicílico, uma vez que suas soluções aquosas saturadas são muito ácidas (pH = 2,4).
De fato, o extrato ativo da casca, chamado salicina, devido ao nome em latim para o salgueiro-branco (Salix alba), foi isolado em sua forma cristalina em 1828 por Henri Leroux, um farmacêutico francês, e Raffaele Piria, um químico italiano, que, em seguida, conseguiu isolar o ácido em seu estado puro. A salicina, como a aspirina, é um derivado químico do ácido salicílico.
No final do século XIX, o ácido salicílico era muito usado para tratar febre reumática, gota e artrite. Muitos pacientes tratados com essa droga se queixavam da irritação estomacal crônica causada pela acidez das elevadas doses (6 g a 8 g por dia) necessárias para aliviar os sintomas dessas doenças.
Como seu pai era um desses pacientes, o químico Felix Hoffmann pesquisou um derivado do ácido salicílico que fosse menos ácido. Em 1898, Hoffmann relatou que o ácido acetilsalicílico era mais efetivo e, ao mesmo tempo, mais bem tolerado pelo organismo. Ele denominou esse composto de aspirina, utilizando o prefixo a, do nome acetil, e spirin, da palavra alemã empregada para o composto original obtido do salgueiro, spirsäure.
"Uma mistura preparada com 50 partes de ácido salicílico e 75 partes de anidrido acético é aquecida por cerca de 2 horas a cerca de 500 C num balão de refluxo. Um líquido claro é obtido do qual, quando resfriado, é extraído uma massa cristalina, que é o ácido acetilsalicílico. O excesso de anidrido acético é extraído por pressão e o ác. acetilsalicílico é recristalizado em clorofórmio seco." (Estas foram as anotações do caderno de Felix Hoffmann, um químico da Bayer, que, em 1897, sintetizou o AAS a partir do ác. salicílico. A Bayer mandou o produto para testes médicos e os resultados foram impressionantes). 
A existência de uma droga que tanto reduz a do quanto a febre iniciou a busca por outros compostos que pudessem ter o mesmo resultado. Embora fosse baseada na tentativa e erro, essa pesquisa produziu uma variedade de substâncias comercializadas atualmente como analgésicos, antipiréticos e agentes antiinflamatórios. Analgésicos aliviam a dor sem reduzir a consciência, antipiréticos reduzem a temperatura corporal quando está elevada e agentes antiinflamatórios combatem inchaços ou inflamação das juntas, da pele e dos olhos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A LEI DA FICHA LIMPA É CONSTITUCIONAL

Segundo o Migalhas, os ministros do STF concluíram, por maioria de votos, que a Lei da Ficha Limpa (LC 135/10) é constitucional e que deverá ser aplicada nas eleições deste ano, considerando atos e fatos ocorridos antes de sua vigência. Assim, o político que sofrer condenações (judiciais e no âmbito administratvo) em em 2º grau, ou por colegiado, não oirderá concorrer nas eleições.
Votaram a favor da constitucionalidade da lei o relator, ministro Fux, as ministras Rosa da Rosa e Cármen Lúcia, e os ministros Joaquim Barbosa, Lewandowski, Ayres Britto e Marco Aurélio. Os ministros Dias Toffoli, Peluso, Celso de Mello e Gilmar Mendes votaram pela inconstitucionalidade da norma.
Entidades representativas da advocacia já se manifestam sobre o julgamento.
OAB:"É uma vitória da cidadania, da ética e do povo brasileiro, que foi às ruas e disse para todo o Brasil que quer mudança na política".
IAB: “IAB aprova decisão do STF pela constitucionalidade da lei da ficha limpa. Votação reflete a busca pela ética na política brasileira. O IAB sempre foi a favor da aplicação imediata da lei, desde 2010”
Ajufe: "O momento é de transparência máxima no âmbito dos Três Poderes da República, autarquias e empresas públicas."
Veja mais detalhes do voto de cada um dos ministros:
 (1) Para Fux, "ao lado da moralidade está também a própria democracia". No caso, o relator dos processos entendeu que a balança deve pender em favor da constitucionalidade das hipóteses previstas na LC 135, "pois opostamente ao que poderia parecer, a democracia não está em conflito com a moralidade, ao revés, uma invalidação do mencionado diploma legal afrontaria a própria democracia à custa do abuso de direitos políticos".
(2) O ministro Joaquim Barbosa apontou que a lei da ficha limpa está "em perfeita harmonia com o parágrafo 9º do artigo 14 da CF/88". Tal dispositivo remete para lei complementar o estabelecimento de outros casos de inelegibilidade – além dos por ele elencados – e os prazos de sua cessação, "a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta".
(3) A ministra Cármen Lúcia acompanhou integralmente o voto do relator, ministro Fux. Para ela, a democracia representativa demanda uma representação ética. "Se não for ética, não é legítima", disse.
(4) A Ministra Rosa Weber votou pela constitucionalidade da norma. Ela afirmou que a norma detém o quarto lugar no ranking das leis de iniciativa popular que lograram aprovação no Brasil, fato que, para a ministra, "evidencia o esforço hercúleo da população brasileira em trazer para a seara política uma norma de eminente caráter moralizador". Ela acrescentou que há necessidade de o Supremo dar uma pronta resposta ao Brasil sobre o tema, sobretudo diante da iminência das próximas eleições.
(5) Ministro Lewandowski vota pela constitucionalidade da ficha limpa. "Estamos diante de um diploma legal que conta com o apoio expresso e explícito dos representantes da soberania nacional", concluiu.
(6) O ministro Ayres Britto disse entender que a Constituição brasileira tinha mesmo que ser mais dura no combate à imoralidade e à improbidade. "Porque a nossa história não é boa. Muito pelo contrário, a nossa história é ruim", afirmou.
(7) Para ministro Marco Aurélio, dispositivos da lei ficha limpa são constitucionais. "Os preceitos são harmônicos com a Carta da República e visam à correção de rumos nessa sofrida pátria, considerado um passado que é de conhecimento de todos", ressaltou o ministro. No entanto, Marco Aurélio votou pela improcedência da ADC 29, ao salientar que a lei não pode retroagir a atos e fatos jurídicos pretéritos a junho de 2010 em razão da segurança jurídica. "Vamos consertar o Brasil de forma prospectiva, e não forma retroativa, sob pena de não termos mais segurança jurídica", concluiu.
(8) O Ministro Dias Toffoli disse entender que, em respeito ao princípio da presunção de inocência só pode ser considerado inelegível o cidadão que tiver condenação transitada em julgado.
(8) Por sua vez, o Ministro Gilmar Mendes vota pela inelegibilidade após trânsito em julgado. "Não cabe à Corte relativizar conceitos constitucionais atendendo a apelos populares", afirmou ele. Segundo Mendes, embora se trate de lei de forte valor simbólico, "a missão do Supremo é interpretar a Constituição Federal, mesmo contra a opinião majoritária".(9) Decano do STF, o ministro Celso de Mello entende que inelegibilidade não se aplica sem trânsito em julgado. "Não admito possibilidade que decisão ainda recorrível possa gerar hipótese de inelegibilidade", afirmou.
(10) Último a se manifestar no julgamento, o ministro Peluso afirmou que a lei não pode alcançar fatos ocorridos antes de sua vigência. Isso porque, para o ele, a inelegibilidade seria, sim, uma restrição de direitos. O presidente da Corte disse concordar com o argumento de que o momento de aferir a elegibilidade de um candidato é o momento do pedido de registro de candidatura. Para o ministro, deve ser uma lei vigente ao tempo do fato ocorrido, e não uma lei editada posteriormente.
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Fonte: Migalhas

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

GOVERNO DEVERÁ CONCEDER MAIS DE UM MILHÃO DE HECTARES DE FLORESTAS PÚBLICAS PARA EXPLORAÇÃO

Segundo a Folha de São Paulo, o governo federal vai oferecer à iniciativa privada 1,1 milhão de hectares em florestas nativas na Amazônia para a extração de madeira em regime de manejo sustentável. A área total, correspondem a aproximadamente 0,2% da Amazônia e estão localizadas no Pará e em Rondônia.
Trata-se da primeira série de concessões em grande escala. O modelo de exploração sustentável da floresta é recente, criado por lei de 2006. Atualmente, as áreas florestais públicas cedidas para exploração totalizam apenas 144 mil hectares e coincidentemente estão localizadas no Pará e em Rondônia.
Os novos contratos darão o direito de exploração por 40 anos. De acordo com o SFB (Sistema Florestal Brasileiro), serão cinco licitações: quatro para florestas no Pará e uma em Rondônia. A previsão é que duas delas ocorram em março e outras duas, em maio. A concessão da quinta área depende de autorizações ambientais.
Durante o período de vigência da concessão, as empresas poderão extrair madeira, mas deverão cuidar para que a floresta se regenere. A ideia do modelo, apoiado por entidades como o Greenpeace, é evitar a extração ilegal da madeira. As quantidades retiradas são limitadas para permitir a regeneração natural da floresta.
"O manejo florestal é o modelo mais próximo do ideal de uma exploração econômica que cause o menor impacto possível", afirmou Márcio Astrini, do Greenpeace.
 Áreas concedidas serão divididas para limitar a extração de madeira. Como a exploração só começa após o aval dos órgãos ambientais, a madeira já sai legalizada. Na venda, os compradores têm a garantia de que a madeira não resulta de desmatamento ou de extração ilegal.
Mas a concessão é vista com cautela por empresas do setor. Por ser uma experiência nova, há dúvidas sobre a rentabilidade econômica do modelo, o que pode provocar o fracasso das licitações.
"Ainda há uma incógnita sobre a viabilidade econômica", afirma Derick Martins, responsável técnico da Ebata, empresa que venceu em 2010 a licitação para explorar um dos lotes da floresta Saracá-Taquera, no Pará. Até hoje só existem duas florestas nacionais exploradas pela iniciativa privada. A primeira foi a do Jamari, em Rondônia, cujos contratos foram assinados em 2008. A segunda é a do Saracá-Taquera. O contrato foi assinado em agosto de 2010 e o plano de manejo foi aprovado no final do ano passado pelo Ibama. A exploração, porém, só deve começar no fim deste ano.
A demora nos trâmites burocráticos, dizem atuais concessionários, é um dos problemas que podem afastar eventuais interessados.
Outro ponto é a dimensão dos lotes. "As operações demandam grandes escalas [para dar lucro]. Deveriam ser ofertados lotes maiores", diz Roberto Waack, diretor-presidente da Amata, concessionária em Rondônia. Na prática, a exploração de florestal de forma sustentável só é possível em área gigantescas que somente o governo detém, inviabilizando o manejo florestal em  pequenas propriedades.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ADVOGADOS BRASILEIROS CONCORDAM COM A OBRIGATORIEDADE DO EXAME DA OAB.

A pesquisa "Percepção de Advogados do Brasil sobre o Exame da Ordem", criada por docentes da FEA-RP/USP, coordenada pelos professores Cláudio de Souza Miranda e Marco Aurélio Gumieri Valério, do Departamento de Contabilidade da FEA-USP/RP, divulgada na terça-feira (7/2) pela Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), revela que 86% dos advogados brasileiros concordam com a obrigatoriedade do Exame.
O pesquisa foi realizada ainda sob  a influência da decidão do Supremo Tribunal Federal que entendeu ser  constitucional o Exame de Ordem, que habilita bacharéis em Direito a exercer a advocacia.
A pesquisa mostra também, em média, que 66% dos entrevistados consideram que a prova avalia a capacidade do futuro advogado. Separando os advogados por grupos, de acordo com área de trabalho, os docentes são os que mais consideram o Exame apto ou muito apto (76%) para avaliar a formação dos bacharéis. Eles são seguidos por sócios de escritórios de advocacia (72,1%). Já os empregados dos escritórios formam o grupo que pior avalia a prova: 32,7% o consideram inapto ou pouco apto.
A Fundace consultou 1.119 advogados de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. Seu nível de confiança é de 95% e a margem de erro de 3%. Um dos motivos que levou à realização da pesquisa foi a ação movida por um bacharel em Direito, que chegou a ser analisada pelo STF, questionando a necessidade do Exame.
Os advogados também foram questionados, em pergunta fechada, sobre quais as prováveis causas dos baixos índices de aprovação no Exame (índice de 24% na última prova e de 15% na edição anterior). As principais causas apontadas foram: (1) a massificação do ensino do Direito, lembrada por 71% dos entrevistados; (2) a má qualidade do ensino em função de professores despreparados (37,3%) e (3) a má qualidade do ensino em função da falta de estrutura (36,1%). Causas menos apontadas foram a (4) unificação nacional da prova (1,2%), (5) a incompatibilidade com as diretrizes curriculares dos cursos (6,1%) e (6) o elevado nível de exigência da prova (6,8%).
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Fonte: Assessoria de Imprensa do Fundace.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

TRANSGÊNICOS SE ALASTRA PELO MUNDO, PRINCIPALMENTE NO BRASIL

Segundo relatório divulgado hoje pelo ISAAA (organização sem fins lucrativos que estuda a biotecnologia na agricultura) o cultivo mundial de transgênicos cresceu 8% no ano passado. Os 29 países que adotam essa tecnologia plantaram 160 milhões de hectares com sementes transgênicas.
O Brasil liderou esse avanço pelo terceiro ano consecutivo, com uma expansão de 20% em relação a 2010 na área, que chegou a 30,3 milhões de hectares com soja, milho e algodão geneticamente modificados.
"Isso foi possível graças ao modelo desenvolvido no país de rápida aprovação das sementes e pela capacidade de desenvolver as suas próprias tecnologias", disse Clive James, presidente do ISAAA, citando o trabalho da Embrapa.
A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) aprovou seis novas sementes geneticamente modificadas em 2011, incluindo o feijão transgênico, resistente a um vírus comum nas lavouras.
Apesar de o ritmo de crescimento do Brasil ser o mais intenso em todo o mundo, os Estados Unidos continuam como o maior produtor mundial de transgênicos. A área chegou a 69 milhões de hectares no ano passado, um aumento de 3,3%.
Mas o presidente do ISAAA diz que há grandes chances de o Brasil ultrapassar os Estados Unidos no longo prazo. "Existe uma grande diferença entre a produção brasileira e a norte-americana, mas o Brasil está fechando esse intervalo rapidamente", afirma.
Comento: A utilização de organismos genéticamente modificados, apesar da oposição raivosa dos ambientalistas, é a única forma de aumentar a produção e produtividade sem necessidade de realizar desmatamentos e incorporação de novas áreas para produção de alimentos. Existem riscos inegáveis na utilização de uma tecnologia tão radical, que altera genéticamente os organismos, e que pode eventualmente causar danos à biodiversidade e à saúde humana. Todavia, considerando o binômino custo/benefício, a utilização dos transgênicos representa, como foi a revolução verde nos anos 60 e 70, a solução para aplacar a fome mundial e atender a crescente demandas por alimento, conciliando produção e preservação do meio ambiente. 
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Fonte: Folha de São Paulo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

HIDROVIAS FICAM A (NÃO) VER NAVIOS

As metas de investimentos em hidrovias, anunciadas pelo governo federal no ano passado, permanecem no papel. É o que revela uma oportuna reportagem do Valor Econômico de 13 de janeiro. Segundo a matéria, um ano após o anúncio de R$ 2,7 bilhões em investimentos em projetos como a hidrovia do rio Madeira e a expansão da hidrovia do Tocantins, a demora na execução de obras estruturais tem sufocado o enorme potencial deste modal de transporte. Todavia, o Ministério dos Transportes evita falar em abandono do programa e garante que 22 obras estão em execução, enquanto outras 80 se encontram em “ações preparatórias”.
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Projetos incompletos
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O Plano hidroviário, anunciado como parte da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), foi elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Desafortunadamente, não se concretizaram promessas como a dragagem, sinalização e balizamento ao longo de 1.115 km de extensão do rio Madeira.
"Não houve avanço no Madeira e as pessoas da região estão preocupadas, por causa do assoreamento. Essa é uma obra estratégica para o setor" — resumiu Adalberto Tokarski, superintendente de Navegação Interior da Antaq. Segundo ele, se o governo tivesse feito as melhorias prometidas, teria expandido a capacidade da hidrovia do Madeira, dos atuais 8 milhões de toneladas anuais, para um potencial de 20 milhões de toneladas. Tais números não consideram o potencial ainda maior que poderia ser atingido, com a construção de eclusas nas barragens das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construídas no rio Madeira e, seguindo, a tradição nacional de descaso com a navegação fluvial, sem eclusas.
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Outros cortes nos projetos
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Semelhante desleixo com o modal hidroviário têm afetado, inclusive, projetos já concluídos, mas que têm sido subaproveitados, devido à ausência de investimentos para solucionar problemas que impedem a sua plena utilização. É o caso, por exemplo, das eclusas da hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, inauguradas em 2010, que utilizam apenas 1% do seu potencial. O problema se deve ao chamado Pedral do Lourenço, um conjunto de rochas que aflora no rio e prejudica a navegação. Com isso, o potencial de transporte de cargas na hidrovia, de 70 milhões de toneladas anuais, fica seja reduzido a pouco mais de um milhão de toneladas. As obras para a remoção das pedras, orçadas em R$ 500 milhões, já figuraram no PAC, mas foram excluídas. A intenção do governo, segundo divulgado pelo Ministério dos Transportes, é que a Vale assuma os custos da obra, já que está construindo a siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa), em Marabá (PA), nas proximidades do curso do rio Tocantins.
Segundo Tokarski, desde o ano passado, "alguns projetos caminharam bem, como a hidrovia do Tietê, que conta com a parceria da Transpetro. Com a necessidade de o País produzir mais, a área empresarial está descobrindo o setor, mas a situação geral ainda é um pouco preocupante".
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Este não é um país sério…
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Ainda dentro da tradição nacional, em vez de enfrentar o problema a sério, o governo federal se preocupa em evitar a percepção de abandono estatal em relação às hidrovias. O Ministério dos Transportes, por exemplo, além de citar as 22 obras em andamento, ressaltou que um recente acordo entre o governo do federal e o do Estado de São Paulo estabeleceu uma série de investimentos para expandir a capacidade da hidrovia Tietê-Paraná, uma das poucas que funciona a contento no País. Segundo estimativas do governo paulista, com tais investimentos, será possível triplicar a capacidade da hidrovia – atualmente, cerca de 5 milhões de toneladas anuais.
Pelos termos do acordo, a hidrovia deverá receber R$ 1,5 bilhão até 2014, dos quais R$ 900 milhões provenientes dos fundos do PAC2 e os R$ 600 milhões restantes fornecidos pelo governo paulista. A hidrovia liga cinco estados – Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo – em uma extensão de 2,4 mil quilômetros navegáveis.
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Outros estudos em pauta
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Outra iniciativa para tentar disfarçar a imagem de abandono que marca o setor hidroviário é o lançamento de licitações, pelo DNIT, para contratar estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental de várias hidrovias potenciais. Segundo Adão Marcondes Pontes Proença, diretor de Infraestrutura Aquaviária do órgão, a expectativa é a de que os estudos sejam concluídos em até dois anos. "Os estudos vão fornecer uma radiografia em alta resolução do sistema hidroviário brasileiro" — afirmou.
Com tais dados, o Departamento pretende verificar informações como as condições de navegabilidade dos rios brasileiros e o seu potencial de transporte de cargas. "De forma concomitante, serão elaborados os projetos de dragagem, sinalização e balizamento das hidrovias, com licitação imediata para a execução dos serviços" — comentou Proença.
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Hidrovia, o mais econômico sistema de transporte
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Promessas à parte, é profundamente lamentável que o modal hidroviário seja tratado com tamanho desdém. Para comparação, um comboio de quatro balsas pode transportar 6 mil toneladas de grãos – capacidade equivalente à de 240 caminhões. Enquanto o consumo de combustível para se transportar mil toneladas de grãos por quilômetro por rodovia é de 96 litros de diesel, o gasto de tal transporte em rios é de apenas cinco litros – cerca de 20 vezes menor.
Definitivamente, as lideranças nacionais precisam superar a inércia e o descaso que têm marcado historicamente o aproveitamento hidroviário da enorme bacia hidrográfica nacional (a terceira do mundo em extensão), deixando de ver os rios apenas como potenciais geradores de eletricidade ou destino final de esgotos e resíduos urbanos. Com isso, daremos um salto de maturidade no tratamento das questões substantivas do desenvolvimento do País.

Movimento de Solidariedade Íbero-americana
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Créditos ➞ este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. III, No 34, de 19 de janeiro de 2012. Subtítulos meus.
MSIa INFORMA ➞ é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 – sala 202 – Rio de Janeiro (RJ) – CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.
Para saber mais sobre o tema ➞ visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ENORME PISCINA DE ÁGUA DOCE NO ÁRTICO AMEAÇA ROMPER E MUDAR O CLIMA NO MUNDO

Uma enorme piscina de água doce no Oceano Ártico está se expandindo e, seu rompimento, poderá baixar a temperatura da Europa, ao diminuir a velocidade da corrente oceânica, disseram cientistas britânicos neste no domingo.
Usando satélites para medir a altura da superfície do mar de 1995 a 2010, cientistas do University College of London e do National Oceanography Centre descobriram que a superfície oeste do Ártico subiu cerca de 15 centímetros desde 2002. O volume de água doce aumentou em pelo menos 8.000 quilômetros cúbicos, ou cerca de 10 por cento de toda a água doce do Oceano Ártico.
O aumento do volume de água pode ser devido aos fortes ventos do Ártico que fazem com que uma corrente oceânica chamada Beaufort Gyre aumente, fazendo o nível do mar se elevar. O Giro Beaufort é uma das correntes oceânicas menos compreendidas do planeta. Alguns cientistas acreditam que os ritmos naturais do Giro podem ser afetados pelo aquecimento global e isso pode trazer graves complicações para a circulação do oceano e no aumento dos níveis do mar. Modelos climáticos sugerem que o vento soprando na superfície do mar formou uma cúpula no meio do Giro Beaufort, mas existem poucos estudos para confirmar isso.
De acordo com a pesquisa, se o vento mudar de direção, o que aconteceu entre meados da década de 1980 e meados da seguinte, a piscina de água doce poderá vazar para o resto do Oceano Ártico e até mesmo para o norte do Atlântico. Isso poderá esfriar a Europa ao diminuir uma corrente oceânica vinda da Corrente do Golfo, que mantém o clima da Europa relativamente moderado, comparado a países com latitudes semelhantes.
"Nossas descobertas sugerem que uma inversão do vento poderá resultar na liberação dessa água doce para o resto do Oceano Ártico e além", disse a principal autora do estudo publicado no Nature Geoscience Journal, Katharine Giles.
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Fonte: Reuters

OS CICLOS NATURAIS E NÃO O HOMEM CAUSAM AS ERAS DO GELO

Nova era glacial está se formando, dizem cientistas: William Curry é um cientista do clima e não um crítico de arte, mas passou algum tempo analisando o quadro “George Washington Atravessando o Delaware”, de Gottlieb Leutze, que mostra um barco carregado de soldados coloniais americanos em um rio congelado no dia seguinte ao Natal de 1776.
“Posso afirmar que esse tipo de coisa simplesmente não acontece mais”, diz Curry.
Mas, ressalva que pode voltar a acontecer em breve. Cenas de congelamento como as imortalizadas as pelo pintor flamengo do século 16 Pieter Brueghel, o `Velho`, também poderão voltar à Europa. Seus quadros, incluindo a obra-prima de 1565 “Caçadores na Neve”, fazem as paisagens europeias, hoje temperadas, parecerem mais a Lapônia.
Esses cenários gélidos foram comuns durante um período que durou aproximadamente de 1300 a 1850, porque grande parte da América do Norte e da Europa foi tomada por uma pequena era glacial.
Um número cada vez maior de cientistas, incluindo muitos na base de operações de Curry, o Instituto Oceanográfico Woods Hole, em Massachusetts acredita que há condições para um novo resfriamento prolongado, ou pequena era glacial.Embora ninguém esteja prevendo uma camada de gelo brutal como a que cobriu o hemisfério norte de geleiras cerca de 12 mil anos atrás, o próximo resfriamento poderá reduzir as temperaturas médias em 9º C sobre grande parte dos Estados Unidos e 18°C no nordeste americano, no norte da Europa e da Ásia.
“Isso poderá acontecer daqui a dez anos”, disse Terrence Joyce, presidente do Departamento de Oceanografia Física em Woods Hole. “Quando acontecer, poderá levar centenas de anos para se reverter”.Um relatório deste ano intitulado “Mudanças climáticas abruptas: surpresas inevitáveis”, produzido pela Academia Nacional de Ciências, avaliou o custo dos prejuízos na agricultura entre US$ 100 bilhões e US$ 250 bilhões, ao mesmo tempo prevendo que os danos ecológicos poderão ser vastos e incalculáveis.Uma análise sombria: florestas desaparecendo, gastos domésticos mais elevados, redução da água potável, produções agrícolas menores e aceleração da extinção de espécies.As mudanças políticas desde a última era glacial poderão tornar a sobrevivência muito mais difícil para os pobres do mundo. Nos períodos de resfriamento anteriores, tribos inteiras simplesmente se mudaram para o sul, mas essa opção não funciona no mundo moderno e tenso de fronteiras fechadas.
A terra está realmente se aquecendo? Na verdade está, diz Joyce. Ele explica como esse aquecimento poderá surpreendentemente ser o culpado pela próxima mini-era do gelo.
O paradoxo é consequência do aparecimento nos últimos 30 anos, no Atlântico Norte, de enormes rios de água doce, equivalentes a uma camada de 3 metros de espessura. Ninguém sabe ao certo de onde vêm essas correntes doces, mas um grande suspeito é o derretimento do gelo no Ártico, causado pelo atual ciclo solar.
A tendência da água doce é uma grande novidade nos círculos das ciências oceânicas.
O oceanógrafo britânico Bob Dickson considera a queda de salinidade e temperatura no mar de Labrador entre o nordeste do Canadá e a Groenlândia “possivelmente as maiores mudanças profundas observadas no registro instrumental oceanográfico moderno”.A tendência poderia causar uma pequena era glacial, ao subverter a penetração para o norte das águas da Corrente do Golfo.
Normalmente a Corrente do Golfo, carregada de calor absorvido nos trópicos e sobe pelas costas leste dos Estados Unidos e do Canadá. Ao fluir para o norte a corrente transmite calor para o ar. Como os ventos predominantes no Atlântico Norte sopram para leste, grande parte desse calor vai para Europa.
É por isso que muitos cientistas acreditam que as temperaturas de inverno no continente estão até 20 graus mais quentes que as da América do Norte na mesma latitude. A gélida Boston, sob o efeito de um clima continental, por exemplo, fica quase exatamente na mesma latitude que a aprazível Roma, influenciada por um clima marítimo.
Depois de transmitir seu calor para o ar, a água agora resfriada torna-se mais densa e mergulha no Atlântico Norte cerca de 1,5 quilômetro ou mais, num processo que os oceanógrafos chamam de circulação termohalina.
Mas na medida em que o Atlântico Norte se enche de água doce torna-se menos denso, fazendo que as águas carregadas para o norte pela Corrente do Golfo tenham menor capacidade de afundar.
A nova massa de água relativamente doce fica na superfície do oceano como um grande cobertor térmico, ameaçando a circulação termohalina. Isso por sua vez poderá fazer a Corrente do Golfo ficar mais lenta ou desviar-se para o sul. A certa altura, todo o sistema poderia simplesmente travar, e rapidamente, e o transporte ou troca de calor vindos dos trópicos seria repentinamente interrompida com o resfriamento climático.

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Lama oceânica
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Um travamento rápido já aconteceu no passado. A evidência disso, num laboratório do Woods Hole, está entre 24 mil tubos de policarbonato cheios de uma lama verde-amarronzada - amostras do piso oceânico.
Uma amostra em particular foi fundamental. O navio canadense CSS Hudson a coletou em 1989, em um platô no fundo do oceano, no norte do mar de Sargaços, cerca de 200 milhas náuticas a nordeste da Bermuda. “É um lugar peculiar no piso oceânico onde a lama se acumula rapidamente”, diz Lloyd Keigwin, cientista sênior no Departamento de Geologia e Geofísica de Woods Hole.
Os sedimentos do fundo marinho são coalhados de pequenos invertebrados chamados foraminifera, que Keigwin descreve como "amebas com conchas", que podem dar pistas sobre a temperatura do oceano onde elas viveram.
Keigwin conseguiu avaliar a temperatura em que os pequenos animais de camada formaram suas conchas de carbonato de cálcio com uma precisão de menos de 0,5 grau. Ele acoplou isso a uma datação com carbono para determinar a idade de cada camada de sedimento.
Keigwin esperava encontrar evidências de mudanças climáticas nos últimos milhares de anos. Mas na amostra do Hudson ele descobriu dados sobre mudanças abruptas de temperatura nos últimos mil anos, incluindo uma pequena era glacial que teve em média 2,2 graus a menos que a atual.
E como o mar de Sargaços é muito misturado, o esfriamento deve ter sido generalizado”, diz Keigwin. O mais importante é que ele encontrou evidências que provam que os ciclos climáticos continuam até hoje.Certamente a pequena era glacial de 1300 a 1850 não foi desencadeada pela libertação de gases do efeito estufa na atmosfera pelos seres humanos. Mas os ciclos climáticos naturais que derreteram o gelo do Ártico poderiam ter feito a circulação termohalina travar abruptamente.
Temos quase certeza de que essa foi a causa da última pequena era glacial”, diz Curry.
Um evento mais recente talvez seja uma evidência melhor de que um clima pode esfriar rapidamente por causa do travamento termohalino. No final dos anos 60, uma enorme mancha de água mais doce perto da superfície apareceu ao largo da costa da Groenlândia, provavelmente em conseqüência de uma grande descarga de gelo no Atlântico em 1967. Conhecida como a Grande Anomalia de Salinidade, ela flutuou para o sul, instalando-se no Atlântico Norte no início dos anos 70. De lá, ela interferiu com a circulação termohalina contendo rapidamente a formação de água profunda no mar de Labrador. “Acredito que ela travou o sistema por apenas alguns anos. O resultado foram invernos muito frios, especialmente na Europa”, diz Curry.
Essa massa de água mais doce, felizmente, foi suficientemente pequena para se dispersar em pouco tempo.
Mas a quantidade que está se acumulando no ártico agora “é grande demais”, diz Joyce.
Para Ruth Curry, o conhecimento atual é mais que suficiente para permitir previsões. “Não podemos saber em que ponto o travamento termohalino poderá realmente começar”, ela diz. “Mas devemos nos preparar para ele.”______________________________
Fonte: Brad Lemley-Discover Magazine: http://discovermagazine.com/2002/sep/cover/?searchterm=William%20Curry

AQUECIMENTO GLOBAL TERMINOU EM 1997/1998 E CAMINHAMOS PARA UM ARREFECIMENTO DO CLIMA GLOBAL

O suposto “consenso” sobre o aquecimento global produzido pelo homem está enfrentando um desafio inconveniente após o lançamento de novos dados de temperatura que mostram que o planeta não se aqueceu nos últimos 15 anos.
Os números sugerem que poderíamos até estar caminhando para uma mini era do gelo para rivalizar com a queda de temperatura de 70 anos.
Com base em leituras de mais de 30.000 estações de medição, os dados foram divulgado na semana passada, sem alarde pelo Met Office e a Universidade de East Anglia Climatic Research Unit (a mesma do climatgate). Ele confirma que a tendência de subida das temperaturas no mundo acabou em 1997.
Enquanto isso, os principais cientistas do clima recentemente dissem ao jornal The Mail on Sunday, que depois de emitir níveis anormalmente elevados de energia ao longo do século 20, o sol agora está caminhando para um “grande mínimo”, nos ameaçando com os verões frios, invernos rigorosos e, pior de tudo, um encurtamento das estaçãos disponíveis para cultivo de alimentos. Sem dúvida, preferível o aquecimento ao arrefecimento global!Estamos agora vivendol o perído do ápice das atividade solares que os cientistas chamam de “Ciclo 24″ – motivo pelo qual as tempestades solar da semana passada resultaram em avistamentos da aurora boreal mais ao sul do que o habitual. Mas os números de manchas solares estão surgindo em intensidade menor (metade, para ser mais exato) do que as observadas durante os picos de ciclo no século 20. O número de manchas solares está associada diretamente à intensidade da atividade solar: quanto mais manchas mais intensa a atividade solar!
A análise feita por especialistas da NASA e da Universidade de Arizona – derivado de medições de campo magnético 120 mil milhas abaixo da superfície do sol – sugerem que ciclo 25, cujo pico é devido, em 2022, será muito mais fraco ainda.
De acordo com um estudo divulgado na semana passada pelo Met Office, há uma chance de 92% que o Ciclo 25 e as que se realizam nas décadas seguintes (ciclo 26 e 27) serão tão fraco ou mais fraco do que o “mínimo de Dalton” que se deu entre 1790-1830 . Neste período, em homenagem ao meteorologista John Dalton, as temperaturas médias em partes da Europa caíram 2C.
No entanto, também é possível que a nova queda de energia solar pode ser tão profunda como o “mínimo de Maunder” (após o astrônomo Edward Maunder), entre 1645 e 1715 na parte mais fria da “Pequena Idade do Gelo”, quando,  o Tamisa e os canais da Holanda congelaram.
No entanto, no seu papel, o Met Office afirmou que agora as conseqüências seriam negligenciáveis ​​- porque o impacto do sol sobre o clima é muito menor do que o homem com a emissão de dióxido de carbono. Embora a atividade solar poderá diminuir até 2100, Isto só causaria uma redução nas temperaturas globais de 0.08C, disse Peter Stott, um dos autores: “Nossos resultados sugerem uma redução da atividade solar para níveis não vistos em centenas de anos seria insuficiente para compensar a influência dominante de gases de efeito estufa.”.
Todavia, essas conclusões são ferozmente contestada por outros especialistas solar. “As temperaturas mundiais podem ficar muito mais frio do que agora para os próximos 50 anos ou mais”, disse Henrik Svensmark, diretor do Centro para a Sun Clima-Pesquisa da National Space Institute da Dinamarca. "Vai ser uma longa batalha para convencer alguns cientistas do clima que o sol é importante. Pode bem ser que o sol vai demonstrar isso por conta própria, sem a necessidade de sua ajuda."Ele ressaltou que, ao afirmar o efeito do mínimo solar seria pequeno, o Met Office estava confiando nos modelos de mesmo computador que está sendo prejudicada pela atual pausa no aquecimento global.
Os níveis de CO2 continuam a aumentar sem interrupção e, em 2007, o Met Office afirmou que o aquecimento global “voltaria com tudo". O Met afirmou peremptoriamente que entre 2004 e 2014 haveria um aumento global de 0.3C. Em 2009, ele previu que pelo menos três dos anos de 2009 a 2014 iria quebrar o recorde de temperatura anterior estabelecido em 1998.
Até agora não há nenhum sinal de qualquer de isso acontecer. Mas recentemente um porta-voz do Met Office insistiu que seus modelos ainda eram válidos.
“A projeção de dez anos continua sendo a ciência inovadora. O prazo para a projeção original ainda não acabou“, disse ele.
O Dr. Nicola Scafetta, da Universidade Duke, na Carolina do Norte, é o autor de vários artigos que discutem os modelos climáticos do Met Office que mostram que deveria ter sido “aquecimento constante de 2000 até agora”.
“Se as temperaturas continuarem a ficar estável ou começar a esfriar novamente, a divergência entre os modelos e os dados gravados acabará por se tornar tão grande que toda a comunidade científica vai questionar as teorias atuais”, disse ele.
Ele acredita que como o modelo do Met Office atribui uma importância muito maior para CO2 do que o sol, obrigado, portanto, a concluir que não haveria de resfriamento. ”A questão real é se efetivamente o modelo em si é preciso, questiona Dr Scafetta .
Enquanto isso, um dos especialistas americano mais eminentes do clima, o Professor Judith Curry, do Georgia Institute of Technology, disse que a previsão do Met Office de um impacto “insignificante” é difícil de entender.
“A coisa responsável a fazer seria a de aceitar o fato de que os modelos podem ter graves deficiências no que se refere à influência do sol,” disse o professor Curry.  “.
Estudiosos argumentam que está se tornando cada vez mais evidente que outros fatores além do CO2 desempenham um papel importante no aumento ou diminuição do calor, como, p. ex., os ciclos de oscilação de temperatura da água nos oceanos Pacífico e Atlântico.
Eles têm sido insuficientemente apreciada em termos de clima global,” disse o Prof Curry. Quando ambos os oceanos eram frias no passado, como o 1940-1970, o clima esfriou. O ciclo do Pacifico reverteu tendência, e desde 2008 está esfriando e o Atlântico também está sinalizado mudança nos próximos anos.
Pal Brekke, conselheiro sênior do Centro Espacial Norueguês, disse que alguns cientistas descobriram a importância dos ciclos de água difícil de aceitar, porque isso significa admitir que os oceanos – não a CO2 – causou grande parte do aquecimento global entre 1970 e 1997. (o aquecimento e resfriamento dos Oceanos é causado pela maior o menor incidência do calor solar nas aguas superficiais e profundas). O mesmo vale para o impacto do sol – que foi altamente ativo durante a maior parte do século 20.
“A natureza está prestes a realizar uma experiência muito interessante”, disse ele. ”Dez ou 15 anos a partir de agora, seremos capazes de determinar muito melhor se o aquecimento do final do século 20 realmente foi causado por CO2 do homem, ou pela variabilidade natural.”Enquanto isso, desde o final do ano passado, as temperaturas globais caíram mais de meio grau, como efeito do frio de ‘La Nina’ que ressurgiu no sul do Pacífico.
Agora estamos bem na segunda década da pausa”, disse Benny Peiser, diretor da Fundação Global Warming Policy. ”Se nós não vemos evidência convincente do aquecimento global até 2015, começará a ficar claro se os modelos são de beliche. E, se forem, as implicações para alguns cientistas pode ser muito grave. “
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Texto de David Rose

sábado, 28 de janeiro de 2012

ENTREVISTA: DON EASTERBROOK FALA DE AQUECIMENTO E RESFRIAMENTO GLOBAL

Don Easterbrook é um emérito professor de geologia na Western Washington University, mestre e doutor em geologia, é   conhecido internacionalmente como um cético da mudança climática global, autor de oito livros e mais de 150 publicações periódicas.
Easterbrook tem estudado as mudanças climáticas desde a idade de gelo até os dias atuais. Seu foco é a evolução das geleiras, bem como fazer análise isotópica dos elementos encontrados nos núcleos de gelo.
Contrariando o consenso "aquecimentista", Easterbrook acredita que a Terra está atualmente em um período de resfriamento. Sua conclusões são baseadas em resultado de pesquisa sobre mudanças climáticas realizada por uma equipe internacional de mais de 50 membros, da qual é integrante ativo, integrada por físicos solares, físicos e geólogos.
Easterbrook deu uma entrevista corojosa e esclarecedora à   Western Front On Line   que reproduzo aqui, com perdão de eventuais erros de tradução (tradutore traditori).
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Há quanto tempo você está trabalhando ou pesquisando especificamente as alterações climáticas e qual é a sua formação no campo?
Eu tenho trabalhado sobre a mudança climática de 50 anos. A maneira como eu me aproximei é pela ao estudar as flutuações das geleiras, as modernas e os antigos, que permitem reconstruir o que o clima era como quando as geleiras estavam avançando e recuando. Eles são como muito antigo paleo-termômetros. Eles permitem que você determine o que o clima estava fazendo. Quando o clima é frio e nevado ocorre o avanço das geleiras, e quando é quente e seco ocorrem os recuos. Eles deixam uma pegada de onde eles foram. Então você seguir essas pegadas, e você pode dizer o que os glaciares têm vindo a fazer, que lhe diz que o clima estava fazendo. Eu também trabalho com isótopos. Eles também carregam infomações (assinatura) do clima na antiguidade.

Quais são os seus pensamentos atuais sobre as mudanças climáticas? Há muita conversa nos meios de comunicação sobre como ele vai ficar drasticamente mais quente. Você diz que vai seguir o caminho oposto. Você poderia expandir isso?
Toda a questão da mudança climática pode ser analisada pelos dados climáticos. Toda a minha abordagem é analisar os dados. Infelizmente, muita política tem se envolvido com as ciências que se relacionam às mudanças climáticas, especialmente porque há uma enorme quantidade de dinheiro envolvido, centenas de bilhões e trilhões de dólares. Há uma quantidade enorme de energia. A mudança climática está sendo usado como uma alavanca para tentar pressionar por um governo mundial. Isso está sendo feito em conferências internacionais patrocinadas pela Organização das Nações Unidas que se reúnem a cada ano. A última foi em Durban. Então, infelizmente, por causa disso, há muita retórica e muita cobertura seletiva da mídia.
Meu conselho é olhar para os dados e tirar sua própria conclusão. A Minha opinião contra a opinião de alguém é algo que você pode discutir o dia todo. Se você olhar para os dados, os dados irão dizer-lhe muito mais do que qualquer coisa, não representa a opinião de alguém. Eu trabalhei com um monte de dados que diz respeito à mudança do clima. Os dados são muito claros e o que eles estão dizendo é que as mudanças climáticas globais vêm acontecendo desde o início do tempo geológico, e especialmente nos últimos 10 mil anos.
Nós tivemos as eras glaciais e tivemos períodos de aquecimento. Maior parte dos últimos 10.000 anos foram mais quentes do que é agora, por exemplo. Nós podemos analisar os registros geológicos. Podemos dizer que o passado é realmente a chave para o futuro. Podemos determinar os padrões que são replicadas, uma e outra e outra vez, e podemos projetar o futuro para ver o que é provável que aconteça. O que isso está nos dizendo é que o clima oscilou frente e para trás: quente, frio, quente, frio, quente, frio.
Quanto tempo de resfriamento e aquecimento ciclos geralmente duram?
Nós tivemos 27 mudanças climáticas nos últimos 400 anos: quente, frio, quente, frio. Houve quatro neste século passado que não têm nada a ver com o CO2, pois a concentração de CO2 não era um fator determinante para a mudança climática a milhares de anos atrás. Sabemos que aqueles que não são de todo relacionadas com CO2.
Então, por que nós esperamos que a mudança climática hoje para estar relacionados com CO2?
Bem, se você pode provar isso, tudo bem, mas não há uma única peça de evidência real que aponta para CO2. E a maior contradição é que o aquecimento global terminou em 1998. Nós não tivemos nenhum aumento da temperatura global depois de 1998. Desde então [...] ele realmente ficou mais frio. Não por muito, mas um pouco.
Passamos atualmente por uma tendência de arrefecimento, está relacionado à temperatura oceânica. Alterações da temperatura do Pacífico de quente para frio tem se tornado cada vez mais frequente (La Niña). É como um interruptor (on/off). O mesmo ocorreu em 1977 quando o clima mudou de fresco para morno e tivemos 20 anos de aquecimento global. Não há dúvida de que tivemos o aquecimento global... essa não é a questão. Todo mundo concorda que a temperatura tem aumentada. A questão é o que está causando isso.
Pode estudantes ocidentais ao longo dos próximos dois anos vivenciarem uma mudança no clima?
Se há uma coisa certa sobre o clima é que não é constante. Ele está sempre mudando. Tem sempre mudado.  Atualmente, estamos vivendo o fima de um ciclo chamado de "Pequena Idade do Gelo", que se iniciou cerca de 500 anos atrás. Por 10 mil anos antes disso, o clima era mais quente do que realmente é agora, então mergulhamos na Pequena Idade do Gelo. Desde então, estamos saindo de um buraco. Durante os últimos 400 anos nós estamos aquecendo e saindo do ciclo de resfriamento chamada de Pequena Idade do Gelo, se quiser. Então, o clima, ao longo desse período, foi ficando mais quente cerca de um grau de um século. Esse fenômeno de fato aconteceu, mas há nada novo sobre ele.
Assim, o aquecimento que vivemos, durou apenas de 1978 a 1998, é algo que é previsível e esperado. Quando o oceano muda temperaturas, o resfriamento global é quase automático e duradouro. Você pode esperar cerca de 25 a 30 anos ainda pela frente antes de começar a esquentar novamente. Pode até ser mais do que isso.
Você continua a sua investigação, agora que você já não são de ensino para a universidade?
Estou ainda mais ativo na investigação do que antes. Estou me dedicando em tempo integral a pesquisa sobre mudança climática global, e trabalho com um grupo internacional que consiste de todas essas outras pessoas que eu mencionei - os físicos solares e astrofísicos. Há cerca de 50 nós que trabalhar juntos.
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Fonte:  http://westernfrontonline.net/news/14141-qaa-western-professor-doubts-global-warming

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CIÊNCIA CIDADÃ: É POSSÍVEL FAZER CIÊNCIA COM CRIATIVIDADE E IMPROVISAÇÃO!

A ciência o ou trabalho com ciência se tornou dispendioso e inacessível ao cidadão sem recursos financeiros ou amparo de grandes instituições ou governo. A ciência moderna não comporta o amadorismo e a improvisação, como foi sua marca no início da era científica. Contudo, um grupo de cientistas não concordam com essas máximas e tentam tornar as práticas científicas algo mais terreno e, portanto, acessível a qualquer pessoa preparada para tanto.
Exemplo disso, é o laboratório doméstico de Cathal Garvey, em Cook, na Irlanda, repleto de equipamentos improvisados. Seu incubador de bactérias fica em uma antiga caixa de transporte feita de isopor, com um tapete de aquecimento e um termômetro transformado em termostato. Para fazer esterilizações, ele usa uma panela de pressão, e não um sistema de autoclave. Alguns instrumentos foram confeccionados com latas de café.
No mundo emergente da ciência cidadã, cujo espírito está mais próximo de manuais de escoteiros que de pareceres de periódicos científicos, Garvey, um geneticista de 26 anos que trabalhou em um centro de pesquisa sobre o câncer há cerca de quatro anos, após concluir a pós-graduação, é uma espécie de herói. Ele é mais conhecido por ter inventado o DremelFuge, uma centrífuga de pequeno porte que pode ser fabricada em uma impressora 3-D. Seus planos estão disponíveis para todos online, de modo que qualquer um que tenha o desejo e os recursos para levá-los adiante pode fazê-lo.
Ele e outros cientistas da improvisação, ou biohackers, são parte de um movimento chamado DIYbio, abreviação de biologia do "do-it-yourself" - isto é, do "faça-você-mesmo" -, que foi lançado oficialmente em 2008 com o site DIYBio.org, um canal online para compartilhar ideias. O site acumulou mais de dois mil membros desde a sua criação.
"Eu quero fabricar o tipo de ferramenta que torna mais fácil fazer biologia por conta própria, em casa", contou Garvey.
Um dos focos de mobilização do movimento é o Genspace, um laboratório sem fins lucrativos de Nova York que está aberto a membros do público, independentemente da formação científica. Desde que ele abriu, em 2010, no sétimo andar do edifício de um antigo banco, laboratórios semelhantes surgiram em Boston e São Francisco.
O Genspace tem cerca de uma dúzia de membros, e cada um paga 100 dólares por mês para cobrir o aluguel e o que os técnicos de laboratório chamam de "consumíveis": agentes químicos, tubos descartáveis e outros apetrechos que precisam ser substituídos regularmente.
Segundo Daniel Grushkin, jornalista que vive em Nova York e foi um dos fundadores do Genspace, a ideia inicial por trás do laboratório é semelhante à do desenvolvimento dos softwares de código aberto: quanto mais cérebros houver trabalhando de modo colaborativo na biotecnologia, mais provável se torna "chegar a ideias excelentes".
A ideia de amadores que fazem a própria biologia tem levantado temores a respeito de um bioterrorismo deliberado e da criação não intencional de uma doença mortal. Mas criar um novo patógeno virulento está longe de ser fácil, e a comunidade do DIYbio adotou um conjunto de normas de segurança para minimizar tais riscos.
"Dentro de um âmbito muito restrito, é possível que alguém possa causar danos", Garvey disse. "Mas eles só poderiam propagar uma doença se estivessem trabalhando com a doença."O Genspace tem uma política rígida contra trabalhar com qualquer coisa que possa infectar os seres humanos, e criou um conselho de segurança com peritos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA e de outras instituições para aprovar propostas de novas experiências.
Para os entusiastas do faça-você-mesmo, uma das coisas mais frustrantes pode ser o andamento dos processos. A biologia envolve trabalhar com organismos que, assim como bebês, precisam de atenção em momentos específicos.
"Muita coisa da biologia está apenas esperando para ser descoberta", disse Charlie Schick, membro do DIYbio que reside em Boston e administra um blog chamado Molecularist. E medir uma dada temperatura incorretamente ou acrescentar uma substância química errada durante uma experiência significa que ela tem que ser iniciada novamente.
Um obstáculo ainda maior é o preço alto de muitos equipamentos: centrífugas e máquinas de reação em cadeia de polimerase baratas custam cerca de 3 mil dólares cada. O Genspace, por exemplo, não conseguiria ter adquirido todos os seus equipamentos apenas com os pagamentos dos membros: uma das fundadoras e atual presidente, Ellen D. Jorgensen, já trabalhou em um laboratório privado, que decidiu se livrar de alguns equipamentos após a recessão, quando foi obrigado a reduzir as suas operações. Ela se ofereceu para ficar com os instrumentos descartados.
Ainda assim, alguns biohackers acham que o que é mesmo necessário são equipamentos de laboratório mais simples e baratos.
"As pessoas superestimam o custo de funcionamento de um laboratório de biotecnologia", disse Garvey. O custo do laboratório que ele tem em casa? Quatro mil euros, contou ele (cerca de 5 mil dólares).
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domingo, 22 de janeiro de 2012

LIVROS: UMA ABORDAGEM SOBRE O IMPÉRIO DAS IDEIAS

História da Filosofia e História das Idéias

Roger Scruton

O assunto deste livro é a filosofia "moderna". Suponho, como outros, que a filosofia moderna tem início com Descartes, e que sua mais significativa manifestação recente deve ser encontrada nos escritos de Wittgenstein. Espero embasar tais suposições, mas meu principal objetivo será apresentar a história da filosofia ocidental moderna de modo tão breve quanto possível.
Desejo que o teor deste livro seja inteligível para os que não possuem conhecimento especializado de filosofia analítica contemporânea. Infelizmente, é muito difícil descrever brevemente a natureza da filosofia; a única satisfação que um autor pode auferir da tentativa de fazê-lo está em saber que uma resposta à questão "que é filosofia?" só pode parecer persuasiva na medida em que seja breve. Quanto mais se pondera acerca das restrições que qualquer resposta dada deve apresentar, mais se é impelido à conclusão de que tal questão constitui em si mesma o principal objeto da pesquisa filosófica. É claro que a descrição que agora faço da natureza da filosofia refletirá meu ponto de vista filosófico particular, e, aos olhos do leitor, seu mérito deve residir no fato de ter-se recomendado a um filósofo que é também seu contemporâneo.
A natureza da filosofia pode ser apreendida mediante dois contrastes : com a ciência, por um lado, e com a teologia, por outro. Comumente, a ciência constitui o domínio da investigação empírica; ela origina-se da tentativa de compreender o mundo como o percebemos, predizer e explicar eventos observáveis e formular as "leis da natureza" (caso existam), consoante as quais o curso da experiência humana deve ser explicado. Qualquer ciência produzirá uma quantidade de questões que ultrapassam o alcance de seus próprios métodos de pesquisa e que, por conseguinte, ela não poderá resolver. Consideremos a questão, extraída de algum episódio considerado notável: "Que causou isso?" Provavelmente, uma resposta científica deve ser formulada em termos de eventos e condições precedentes, juntamente com certas leis ou hipóteses que articulem o evento a ser explicado com os eventos que o explicam. Entretanto, poderemos fazer a mesma pergunta com relação a esses outros eventos e, caso se respondesse do mesmo modo, pelo menos potencialmente, as séries causais poderiam prolongar-se eternamente, regredindo ao infinito. Percebendo tal possibilidade, poderíamos ser levados a perguntar: "Que causou a existência das séries?", ou, ainda mais abstratamente, "Por que devem existir eventos?"; ou seja, não apenas por que deveria haver este ou aquele evento, mas por que existe alguma coisa? Naturalmente, a investigação científica que nos leva do que é dado ao que o explica pressupõe a existência de coisas. Conseqüentemente, ela não pode resolver essa questão mais abstrata e intrincada. Trata-se de uma questão que parece ultrapassar a pesquisa empírica e, não obstante, simultaneamente dela provir de modo natural. A própria ciência não proporcionará a resposta, mas não parece absurdo sugerir que pode haver uma resposta.
Constantemente, descobrimos que a ciência produz questões que ultrapassam sua própria capacidade de resolvê-las. Têm-se chamado tais questões de metafísicas; elas constituem uma parte distinta e inevitável do objeto da filosofia. Ora, considerando 0 problema metafísico particular que mencionei, poderíamos recorrer a um sistema teológico autoritário. Poderíamos encontrar sua resposta ao invocar Deus como causa primeira e meta final de todas as coisas. Porém, se tal invocação se basear somente na fé, ela não poderá pretender outra autoridade racional além da que se pode atribuir à revelação. Quem recorre à fé para solucionar tal problema, e não questiona a validade de seu proceder, possui, de certo modo, uma filosofia. Tal pessoa apoia sua alegação numa doutrina metafísica, mas expressa essa doutrina dogmaticamente, ou seja, tal doutrina não é, para ela, nem a conclusão de um argumento embasado nem o resultado de especulação metafísica. É simplesmente uma idéia aceita, que tem o mérito intelectual de produzir respostas a quebra-cabeças metafísicos, mas com a peculiar desvantagem de não acrescentar qualquer autoridade àquelas respostas que não esteja contida na suposição dogmática original.
Qualquer tentativa de proporcionar uma base racional para a teologia constituir-se-á, pela mesma razão de que a teologia provê respostas para questões metafísicas, numa forma de pensamento filosófico. Portanto, não surpreende o fato de que, embora a teologia isoladamente não seja filosofia, a questão da possibilidade da teologia tem sido, e até certo ponto ainda e, a principal questão filosófica.
Além das questões metafísicas do tipo a que me referi, existem outras questões que têm algum direito prima facie a ser consideradas filosóficas. Particularmente, existem questões de método, exemplificadas pelos estudos de epistemologia (teoria do conhecimento) e de lógica. Assim como a investigação científica pode chegar ao ponto de se tornar metafísica, seu próprio método pode ser questionado mediante repetidas indagações acerca dos fundamentos de cada asserção particular. Desse modo, a ciência dá origem inevitavelmente aos estudos de lógica e de epistemologia e, caso nos inclinemos a dizer que as conclusões de tais estudos são vãs ou sem sentido, ou que suas questões são irrespondíveis, tratar-se-á de uma opinião filosófica, tão carente de argumentação como as alternativas menos céticas.
Aos estudos metafísicos, lógicos e epistemológicos devemos acrescentar os éticos e de filosofia política, visto que, também aqui, tão logo somos levados a investigar a base de nosso pensamento, somos impelidos a níveis de abstração em que nenhuma investigação empírica pode proporcionar resposta satisfatória. Por exemplo, embora concebamos que um comprometimento com um princípio moral que proíba o roubo envolva o ato de não roubar em qualquer ocasião particular, também reconhecemos que o caso de um homem esfaimado que rouba um pão de alguém que não precise deve ser considerado diferentemente do de um homem rico que rouba o objeto mais precioso de alguém. Mas por que consideramos tais ações de modo diferente como reconciliamos tal atitude com a fidelidade ao principio original e como justificamos o próprio princípio? Todas essas questões conduzem-nos a regiões distintamente filosóficas; os âmbitos da moralidade, da lei e da política ficarão para trás, e nos veremos buscando abstrações, amiúde pouco convencidos de que elas sejam suficientes para sustentar um sistema de crenças, e novamente desejosos de nos refugiar em dogmas teológicos.
Então, o que distingue o pensamento filosófico? As questões formuladas pelos filósofos têm duas características peculiares, a partir das quais poderíamos começar a caracterizá-las: a [ABSTRAÇÃO!] e a preocupação com a verdade. No que tange à abstração, quero, em linhas gerais, dizer que as questões filosóficas surgem no fim de todas as outras pesquisas, quando as questões acerca de coisas particulares, eventos e dificuldades práticas são solucionadas de acordo com os métodos disponíveis, e quando esses próprios métodos, ou alguma doutrina metafísica que sua aplicação parece pressupor, são questionados. Assim sendo, os problemas filosóficos e os sistemas destinados a resolvê-los são formulados em termos que tendem a se referir aos domínios da possibilidade e da necessidade e não ao da realidade, ou seja, ao que poderia e ao que deveria ser e não ao que é.
A segunda característica - a preocupação com a verdade - poderia parecer óbvia demais para que valesse a pena mencioná-la. Porém, é facilmente esquecida, e quando tal acontece a filosofia corre o risco de degenerar em retórica. As questões formuladas pela filosofia podem ser peculiares pelo fato de não terem resposta; e alguns filósofos têm-se inclinado a pensar assim. Entretanto, elas, não obstante, são questões, de modo que qualquer resposta deve ser avaliada pelas razões alegadas para se caracterizá-la como verdadeira ou falsa. Se não existem respostas, então todas as respostas putativas são falsas. Mas se propusermos uma resposta, deveremos apresentar razões para que ela seja crível.
Ao longo das páginas deste livro, deparar-nos-emos com vários autores e escolas de pensamento que se têm baseado no que se poderia chamar de "metafilosofia", isto é, em alguma teoria que se refira à natureza do pensamento filosófico, destinada a explicar como pode haver uma disciplina intelectual totalmente abstrata e, não obstante, dedicada à busca da verdade. Tais metafilosofias tendem a ser de um ou de outro tipo, conforme sustentem ser a especulação ou a análise a meta do pensamento filosófico.
Diz-se - seguindo a tradição de Platão e Pitágoras - que a filosofia adquire seu caráter abstrato porque consiste no estudo especulativo de coisas abstratas, particularmente de certos objetos ou certos mundos, inacessíveis à experiência. Tais filosofias devem, provavelmente, denegrir a investigação empírica, alegando que ela só revela meias verdades, já que apenas estuda as aparências, ao passo que a filosofia especulativa possui a superior virtude de alcançar o domínio da necessidade onde o verdadeiro conteúdo do mundo (ou o conteúdo do verdadeiro mundo) é revelado. Outros julgam que a filosofia alcança a abstração não porque especule acerca de algum outro mundo mais elevado, mas porque se ocupa da tarefa mais mundana da crítica intelectual, ao estudar os métodos e metas de nossas formas específicas de pensamento, a fim de atingir conclusões concernentes aos seus limites e validade. Uma abstração é apenas abstração do - a partir do - particular; não é abstração concernente a algo mais, e menos ainda a algum outro domínio de ser. Quanto à busca da verdade, que é imediatamente explicada como uma extensão do desejo de determinar o que se pode conhecer e o que se pode provar - a verdade filosófica é simplesmente a verdade acerca dos limites do entendimento humano.
Essa filosofia analítica ou crítica, expressa de modo mais notável nos escritos de Kant, tem também dominado a filosofia anglo-saxônica ao longo deste século, ao assumir a forma especial de análise "conceitual" ou "lingüística". Todavia, a história do assunto sugere que, em termos de filosofia, a análise, por mais consideração que se tenha por ela, sempre acarreta o desejo de síntese e especulação. Por mais exígua que uma filosofia particular possa parecer à primeira vista, por mais que pareça mero jogo verbal ou variação lógica, muito provavelmente ela conduzirá, mediante passos persuasivos, a conclusões cujas implicações metafísicas são tão inalcançáveis quanto as de qualquer dos grandes sistemas especulativos.
Aleguei ser uma característica essencial do pensamento filosófico o fato de que ele deve ter como meta a verdade. Porém ante a desconcertante variedade das conclusões, as contradições dos métodos e a obscuridade das premissas dos filósofos, o leitor comum pode muito bem achar que tal meta é irrealizável ou na melhor das hipóteses, uma pia esperança e não uma intenção séria. Certamente, ele dirá que, se existe algo como a pesquisa filosófica, que visa a verdade e a produz, então deveria haver progresso filosófico, premissas aceitas e conclusões estabelecidas; em suma, o tipo de constante tendência a cair em desuso por parte de sucessivos sistemas que observamos na ciência natural, quando novos resultados são estabelecidos e se subvertem os antigos. Contudo, não é isso que constatamos; as obras de Platão e Aristóteles são agora estudadas tão seriamente como nunca foram, e é tarefa de um filósofo moderno, assim como era para os pensadores contemporâneos daqueles filósofos, estar familiarizado com seus argumentos. Um cientista, ao contrário, embora se possa interessar pela história do assunto que estuda, pode muitas vezes ignorá-la impunemente, o que acontece com freqüência. Um físico moderno que nunca ouviu falar de Arquimedes pode, não obstante, conhecer completamente as conclusões estabelecidas em sua disciplina.
Responder-se-ia a tal ceticismo argumentando que existe progresso em filosofia, mas que o assunto é particularmente difícil. Encontra-se no limite do, entendimento humano; portanto, o seu progresso é lento. Também se responderia argumentando que a natureza do assunto é tal que cada tentativa constitui um novo começo, que pode questionar tudo, e só raramente alcançar conclusões que ainda não foram enunciadas de alguma outra forma, expressas na linguagem de algum outro sistema. Aqui, será proveitoso contrastar a filosofia com a ciência e a literatura. Como sugeri, um cientista pode, impunemente, conhecer apenas a história recente de sua disciplina e, não obstante, ser um cientista competente. De modo contrário, quem apenas compreende de forma inadequada a física (o sistema físico atualmente aceito como verdadeiro) pode, todavia, mostrar-se um competente historiador do assunto, capaz de investigar e expor as pressuposições intelectuais ou a importância história de uma hipótese ou forma de pensamento há muito obsoleta. (Vemos assim que a ciência e a história da ciência estão começando a ser disciplinas acadêmicas separáveis, com pouca ou nenhuma sobreposição em matéria de questões ou resultados.)
Entretanto, quando nos voltamos para a literatura, encontramos um estado de coisas completamente diferente. Em primeiro lugar, é improvável sugerir que há uma tendência inata da literatura a progredir, visto que não se pode descrever a direção em que ela se desenvolve. A ciência, que progride na direção da verdade, se constrói sobre o já estabelecido, tendo um direito inalienável de subverter e demolir os mais ingênuos, satisfatórios e belos de seus sistemas estabelecidos. Desse modo, Copérnico e Galileu subverteram as cosmologias ptolomaica e aristotélica. Portanto, alguém que nunca tenha ouvido falar de Ptolomeu ou até mesmo de Aristóteles ainda assim poderá tornar-se o maior especialista vivo no assunto. A literatura, ao contrário, tem seus pontos altos e baixos, mas nada semelhante a uma progressão necessária de um ponto para outro. A perspectiva de tal paisagem mudará com o tempo: o que se afigurava grandioso decrescerá com o passar dos anos e (mais raramente) o que agora parece insignificantes parecerá grande visto à distância. Mas não há progresso além de Homero ou Shakespeare, nem expectação necessária de que alguém por mais talentoso que seja, que tenha lido toda a literatura produzida antes dele deva, por conseguinte, estar em condições de escrever tão bem ou melhor, ou até mesmo de compreender o que leu. Duas importantes características do conhecimento literário estão ligadas a essa evidente falta de direção determinada: primeiramente, é impossível dedicarmo-nos à história da literatura sem uma compreensão plena da literatura, e, em segundo lugar, não podemos admitir que se adquira esse tipo de compreensão apenas com o estudo de obras contemporâneas. Aqui, há uma interpenetração e uma interdependência entre história e crítica; porém, no que tange à ciência, elas são independentes.
A filosofia parece ocupar algum lugar intermediário entre a ciência e a literatura. Por um lado, é possível, como o fez Wittgenstein, focalizá-la com um espírito completamente a-histórico, ignorando as realizações de filósofos anteriores e apresentando os problemas filosóficos sem ostentar uma relação autoconfessada com a tradição do assunto. Embora grande parte da filosofia contemporânea seja desse tipo a-histórico, geralmente não é pior por isso. Os filósofos têm sido bem-sucedidos ao isolar uma série de questões às quais se têm dirigido, cada vez mais preocupados com o que se tem pensado mais recentemente e com a intenção de aperfeiçoar tal pensamento. A imagem é produzida por "resultados estabelecidos" e por um movimento que, por ser progressivo, pode chegar a ser a-histórico. Porém, com um pouco de habilidade, geralmente se pode descobrir, dissimuladas nos escritos de algum filósofo histórico, não só a mais recente opinião aceita como alguma réplica surpreendente dos argumentos empregados em seu favor. A descoberta de que os mais recentes resultados foram antecipados por Aristóteles, por exemplo, ocorreu muitas vezes no decorrer da história da filosofia, e sempre de modo a levar ao reconhecimento de novos argumentos, novas dificuldades e novas objeções que envolvem a opinião adotada, seja com a teologia escolástica de Santo Tomás de Aquino, a metafísica romântica de Hegel ou a estéril análise da escola lingüística contemporânea.
Ademais, é indubitável que focalizar as obras de historiadores da filosofia sem se adquirir alguma competência filosófica independente conduz ao equívoco. Um enfoque puramente "histórico" deturpa tanto a filosofia de Descartes ou de Leibniz quanto as peças de Shakespeare ou a poesia de Dante. Compreender o pensamento desses filósofos é enfrentar os problemas aos quais se dedicaram, problemas que geralmente ainda constituem o objeto da pesquisa filosófica. Parece quase pré-condição para nos introduzirmos ao pensamento dos filósofos tradicionais que não consideremos "fechadas" as questões que eles discutiram, ou superados seus resultados. Na medida em que os consideremos como tal, desalojamo-nos de qualquer lugar central na história do assunto. (Assim como um poeta se inspira no corpo de nossa literatura apesar de suas preocupações lhe parecerem estritamente pessoais.) Adotando-se tal concepção, logo se concluiria que dois filósofos podem chegar a resultados semelhantes, mas apresentá-los de modo tão diferente a ponto de merecerem o mesmo lugar na história da filosofia. Assim é com Guilherme de Ockham e Hume, com Hegel e Sartre. Deparar-nos-emos repetidas vezes com tal fenômeno neste livro.
Estamos agora em condições de estabelecer uma distinção preliminar, da maior importância, entre a história da filosofia e a "história das idéias". Uma idéia pode ter uma história complexa e interessante, mesmo quando se afigura óbvio para qualquer filósofo que ela não pode ter poder persuasivo. (Consideremos a idéia de que há mais de um Deus.) Outrossim, uma idéia pode possuir sério conteúdo filosófico, mas dever sua influência não à sua verdade, mas ao desejo que os homens sentem de acreditar nela. (Consideremos a idéia de redenção.) A fim de participar da história da filosofia, uma idéia deve possuir uma significância filosófica intrínseca, capaz de despertar o espírito de pesquisa de um contemporâneo e afigurar-se como algo que poderia ser sustentável e até mesmo verdadeiro. Para participar da história das idéias, basta que uma idéia tenha influenciado historicamente a vida dos homens. A história da filosofia deve considerar uma idéia em função dos argumentos que a sustentam, mas ocorre de desviar sua atenção, atentando para suas manifestações mais vulgares ou para suas origens em concepções que não encerram valor filosófico. Certamente, o historiador da filosofia tem o direito de estudar a ética kantiana e ignorar a obra de Lutero intitulada Sujeição da Vontade, embora, do ponto de vista histórico, a primeira fosse impossível se a segunda não tivesse sido escrita. Reconhecer tais pormenores é reconhecer que, em matéria de história da filosofia, o melhor método pode discrepar da prática do historiador das idéias. Talvez seja necessário que o filósofo tire uma idéia do contexto em que foi concebida para reexpressá-la em linguagem direta e acessível, simplesmente com o intuito de avaliar sua verdade. Assim sendo a história da filosofia se torna uma disciplina filosófica, e não histórica.
Por conseguinte, se o historiador da filosofia se preocupa com influências, tais influências derivarão do caráter irrefutável das idéias e não de seu apelo emocional ou prático. Assim, a influência de Hume e Kant será da maior importância filosófica, ao passo que a influência de Voltaire e Diderot será relativamente pequena. Para o historiador das idéias esses quatro pensadores fazem parte do grande movimento singular denominado "Iluminismo", e, no que se refere à vida dos homens, onde o que importa é o poder de motivação e não a irrefutabilidade, suas respectivas influências se entrelaçam inextricavelmente.
Pode suceder que um historiador das idéias e um historiador da filosofia estudem o mesmo sistema de pensamento; mas fá-lo-ão com interesses contraditórios, o que exigirá uma aptidão intelectual diferente. A influência histórica de 0 contrato social de Rousseau foi enorme. Para se estudar tal influência não é necessária uma melhor compreensão filosófica da obra do que a que tiveram os que foram mais profundamente influenciados por ela - homens de letras, déspotas esclarecidos e agitadores populares. Todavia, a questão de seu interesse filosófica é independente e, para focalizar a obra a partir da concepção filosófica, deve-se compreender e apresentar suas conclusões com a melhor intenção de determinar sua verdade. Para fazê-lo, precisaremos demonstrar aptidões de tipo diferente das dos homens mais fortemente influenciados pela doutrina. Podemos realmente chegar à conclusão (não nesse caso, mas certamente no de Os direitos do homem, de Tom Paine) de que uma obra filosófica de imensa importância histórica não desfruta de lugar significativo na história da filosofia.
Ao ler as páginas seguintes, o leitor deve ter em mente essa distinção entre a história da filosofia e a história das idéias e reconhecer que a história que ora esboço tanto produz como é produzida pelo estado atual do entendimento filosófico. Meu método, porém, não será expor detalhadamente os argumentos dos filósofos, mas delinear as principais conclusões, sua importância filosófica e os tipos de consideração que levaram seus autores a adotá-las.
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Fonte: Introdução à Filosofia Moderna, Rio de Janeiro: Zahar, 1981, pgs. 11-19.
Obs: grifei e introduzi uma observação no parágrafo oitavo.

FÉRIAS E DEVOÇÃO: BONDINHO NO SANTUÁRIO DE SANTA PAULINA - NOVA TRENTO

Local: Nova Trento - Foto do Calvário do Bondinho - 19 de janeiro de 2012

FÉRIAS: FLORIANÓPOLIS - UFANISMO


Local: Praia dos Ingleses, Florianópolis - entardecer de 18 de janeiro de 2012

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CIENTISTAS DESCOBREM SUBSTÂNCIA QUÍMICA QUE PERMITE O RESFRIAMENTO DO CLIMA

Cientistas conseguiram estudar em laboratório pela primeira vez um conjunto de compostos químicos que desempenha um papel essencial na regulação do clima na Terra. São compostos intermediários em reações químicas importantes para a manutenção da temperatura do planeta, o que abre a possibilidade de contra-atacar o aquecimento global. Conhecidos como intermediários de Criegee, ou bi-radicais de Criegee, são essencialmente óxidos do grupo carbonila.
Esses intermediários químicos invisíveis são oxidantes poderosos de poluentes como o dióxido de nitrogênio, óxido nítrico e o dióxido de enxofre, produzidos pela combustão. Isso lhes dá a capacidade para limpar a atmosfera de forma natural.
Embora a existência desses intermediários químicos tenha sido teorizada por Rudolf Criegee em 1950, só agora eles foram detectados experimentalmente.
Os cientistas agora acreditam que, com novas pesquisas, estes químicos poderão desempenhar um papel essencial no enfrentamento das mudanças climáticas.
A detecção do intermediário de Criegee, juntamente com a medição da velocidade com que ele reage, foi possível graças a um aparelho único, projetado por pesquisadores dos Laboratórios Sandia, nos Estados Unidos, que usa a luz de uma instalação de luz síncrotron de terceira geração.
A luz intensa e ajustável do síncrotron permitiu aos pesquisadores distinguir a formação e a remoção de diferentes espécies isoméricas, consitetentes em moléculas que contêm os mesmos átomos, mas dispostos em combinações diferentes.
Os pesquisadores descobriram que o bi-radical de Criegee reage muito mais rapidamente do que se pensava, acelerando a formação de sulfatos e nitratos na atmosfera. Por sua vez, estes compostos levam à formação de aerossóis e, finalmente, à formação de nuvens, com potencial para esfriar o planeta.Essa velocidade inesperada de reação significa que o intermediário de Criegee desempenha um papel relevante em processos como a formações de aerossóis inorgânicos e a chuva ácida.
"Nossos resultados terão um impacto significativo na nossa compreensão da capacidade oxidante da atmosfera, com amplas implicações para [os estudos da] poluição e da mudança climática," afirmou o Dr. Carl Percival, da Universidade de Manchester, um dos autores do estudo.
Segundo ele, os resultados abrem um novo horizonte de pesquisas sobre um elemento de altíssimo impacto sobre o clima.
"A principal fonte desses bi-radicais de Criegee não depende de luz solar, de forma que estes processos ocorrem dia e noite," afirmou ele.
"Um ingrediente importante para a produção dos bi-radicais de Criegee vem de substâncias químicas liberadas naturalmente pelas plantas. Desta forma, os ecossistemas naturais poderiam desempenhar um papel importante no enfrentamento do aquecimento [global]," afirmou o professor Dudley Shallcross, da Universidade de Bristol, outro membro da equipe.
Nos últimos 100 anos, a temperatura média da superfície da Terra aumentou cerca de 0,8° C, cerca de dois terços desse aumento ocorreu nas últimas três décadas. A maioria dos países concorda que são necessários cortes drásticos nas emissões de gases de efeito estufa, e que o aquecimento global futuro deve ser limitado a menos de 2° C. A possibilidade de controlar o aumento das temperaturas artificialmente, utilizando o bi-radicais de Criegee, torna possível ao homem interferir diretamente nos mecanismos que geram as mudanças climáticas.
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Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=cientistas-descobrem-particulas-esfriar-planeta&id=010125120113
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Bibliografia:
Direct Kinetic Measurements of Criegee Intermediate (CH2OO) Formed by Reaction of CH2I with O2 - Oliver Welz, John D. Savee, David L. Osborn, Subith S. Vasu, Carl J. Percival, Dudley E. Shallcross, Craig A. Taatjes
Science
13 January 2012
Vol.: 335 - pp. 204 - 207
DOI: 10.1126/science.1213229

CHARGE: MENSAGENS...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A POLÍTICA GENETICAMENTE ORIENTADA

Excelente artigo de José Roberto de Toledo (http://blogs.estadao.com.br/vox-publica/2012/01/09/genes-politizados/) baseado em um estudo, que será publicado na próxima edição da revista científica inglesa Philosophical Transactions of the Royal Society B, vinculando nossas tendências ideológicas a influência de nossa carga genética.

Genes politizados

E se a opção ideológica de cada um não for fruto apenas do livre arbítrio, mas uma tendência impressa em nossos genes? E se estivéssemos biologicamente programados a sermos conservadores ou liberais? A questão soa absurda e pode ser revoltante para os mais engajados, mas contém uma dose de fundamentação científica. Ao menos é o que sugere um estudo a ser publicado na próxima edição da centenária revista inglesa
Philosophical Transactions of the Royal Society B.
Um grupo de biólogos, psicólogos e cientistas políticos norte-americanos submeteu suas cobaias humanas a uma bateria de testes para achar respostas a tais perguntas. Basicamente, os pesquisadores lhes mostraram uma combinação de cenas agradáveis e desagradáveis e mediram suas reações emocionais e cognitivas. Para isso, usaram múltiplos sensores, capazes de captar mudanças na atividade cerebral e até rastrear o mais sutil movimento dos olhos das pessoas pesquisadas.
O que eles descobriram é que as pessoas politicamente conservadoras reagiram com mais intensidade às imagens desagradáveis: seu olhar era mais fixo e demorado em fotos de feridas abertas ou de um banheiro sujo. Os politicamente liberais, ao contrário, dedicaram muito mais atenção e tempo às cenas aprazíveis, como gente brincando na praia.
“Literalmente, conservadores e liberais não enxergam as coisas da mesma maneira”, resume o principal autor da pesquisa, Mike Dodd, professor de psicologia da Universidade de Nebraska-Lincoln. E isso tem impacto, no mínimo parcial, sobre as inclinações político-partidárias de cada grupo -afirma um dos co-autores do estudo, o cientista político Kevin Smith.
Liberais e conservadores foram expostos a imagens de políticos dos partidos Democrata e Republicano, dos EUA. Consistentemente com a hipótese de que os conservadores reagem principalmente a estímulos negativos, eles tiveram uma reação fisiológica mais forte às fotos de conhecidos políticos democratas -supostamente seus adversários políticos- do que às dos rivais republicanos.
Previsivelmente, os integrantes do grupo liberal mostraram sinais fisiológicos mais intensos em resposta às imagens dos líderes democratas que -também supostamente- defendem pontos-de-vista semelhantes aos seus. Essa reação está de acordo com a observação de que os liberais reagem mais a estímulos positivos, ao contrário dos conservadores.
A conclusão seria que as pessoas com natureza conservadora são mais sensíveis aos problemas e tendem a confrontá-los com maior intensidade do que os naturalmente liberais. Na vida real, isso se traduziria em apoio a políticas que pretendem proteger a sociedade do que os conservadores percebem como ameaças, internas e externas. Daí defenderam intervenções policiais e militares mais duras, ou apoiarem restrições a imigrantes -enquanto os liberais advogam exatamente o oposto.
Se os autores estiverem corretos, a polarização política não seria consequência (apenas) da desinformação ou da má intenção, como os adversários partidários costumam se acusar uns aos outros. Ela seria um mecanismo biológico, desenvolvido durante o processo evolutivo dos humanos, para temperar reações exageradas de ambos os lados.
O medo pode ser evolutivamente útil em situações de risco real, aumentando as chances de sobrevivência dos tementes por forçá-los a se exporem menos ao perigo. Mas em situações normais, o excesso de temor pode ser paralisante e impedir um grupo de experimentar novos hábitos, de se adaptar a lugares diferentes, de mudar. Em suma, o medo pode tanto garantir a existência quanto retardar o seu desenvolvimento.
Se a seleção natural fez os humanos se dividirem em dois grupos biologicamente antagônicos, a política seria a resposta cultural para equilibrar esse antagonismo. E a alternância no poder, uma necessidade para evitar o atraso ou a auto-aniquilação pelo excesso de experimentalismo.
A teoria de Mike Dodd, John Hibbing e Kevin Smith se encaixa bem à política norte-americana, há mais de um século bipartida entre conservadores republicanos e liberais democratas. Nesse cenário preto e branco, os “cinzas” (eleitorado independente, que oscila de um lado a outro conforme as circunstâncias) costumam decidir a parada, definindo as eleições ora para cá, ora para lá.
Ela também ajuda a entender porque os republicanos fritam seus pré-candidatos durante as primárias. Os conservadores parecem mais preocupados em achar um anti-Obama, ou seja, o mais capaz de derrotar o que eles identificam como o mal (ou o problema), do que de eleger o que seria o seu líder ideal. É uma política pragmática, menos de auto-afirmação e mais de anulação do adversário.
O modelo político-biológico proposto pelos cientistas não funciona tão automaticamente assim no cenário partidário brasileiro. Nos últimos 18 anos, a polarização PSDB-PT reflete uma briga pelo poder entre duas alas que, ao menos na origem, estavam do mesmo lado que derrotou o que seria o grupo conservador, representado pela ditadura militar e seus apoiadores.
É provável que nem tucanos nem petistas concordem com essa descrição e atribuam uns ao outros a pecha de conservador e liberal (no jargão político brasileiro, são quase sinônimos). Mas ambos, PSDB e PT, foram, a seu tempo, vitais para promover mudanças na sociedade brasileira -o que é a antítese da definição de conservadorismo usada pelos autores do estudo.
Errada ou certa, simplista ou não, a hipótese do determinismo biológico na política evidencia ao menos que o problema está nos olhos de quem vê.
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domingo, 8 de janeiro de 2012

LITERATURA: A LONGA NOITE SEM LUA DE STEINBECK

Apesar de ser (ou me considerar) um leitor voraz e que se ocupa sempre da leitura das mais marcantes obras, clássicas ou best seller, ainda me surpreendo com livros que, aparentemente desprentenciosos, são obras impressionantes e marcantes.
Recentemente adquiri em um sebo de Londrina (Capricho) o livro “A longa noite sem lua”, do autor americano John Steinbeck, editora Record, e não o fiz amparado em críticas favoráveis, mas simplemente fui atraído, deve confessar, pela temática envolvida, no caso, a história sobre as guerras mundiais, particularmente e segunda guerra. Um livro curto, com linguagem simples e objetiva que li em um dia, com enredo pobre, mas portador de uma mensagem poderosa, vivificante e que resgata a fé em valores fundamentais para a democracia moderna e caro ao modo de vida ocidental.
 O livro conta a história de uma cidade indeterminada (Steinbeck não dá nome a cidade, o que abre as asas da sua imaginação) que viveu por mais de cem anos em paz, e que de repente é invadida por um exército (também não declina o nome do exército invasor, mas inevitavelmente associamos ao exército alemão).
A população da cidade, após a conquista pelo exército invasor, megulha, em um primeiro momento, e um estado de confusão, e ficam mais perturbados ainda quando dão conta que o prefeito da cidade, Sr. Orden, também se sente perdido. Quem assume o comando da cidade é o Coronel Lanser, o chefe local do exército. Ele procura um local para se instalar, e conclui que a casa do prefeito Orden é ideal para isto. Junto com o coronel Lanser, vão cinco soldados: o major Hunter, um obcecado por números; o capitão Bentick, um homem apaixonado pela Inglaterra, pelo campo e por tudo o que era inglês; o capitão Loft, um verdadeiro militar (ele nunca descansava de seu posto e sabia todas as regras militares); e os tenentes Prackle e Tonder, dois jovens sentimentais que acreditavam no novo sistema político. Pela época em que o texto foi escrito (o copyright é de 1942), e por algumas e raras dicas que Steinbeck lança, pode-se inferir que o sistema era o nazista, posto que Adolf Hitler admirava as artes:
“Prackle era um dançarino perfeito, o par ideal, um jovem alegre e divertido. Apesar disso, ele sabia amarrar a cara como o Líder, mostrar-se pensativo como o Líder. Odiava a arte degenerada e, pessoalmente, destruíra diversas telas representativas dessa manifestação. Nos cabarés, fazia às vezes desenhos a lápis de seus companheiros, tão bons que frequentemente lhe diziam que devia se dedicar à arte.” (STEINBECK, p. 30).
Não podemos esquecer que Hitler tentou ingressar na Faculdade de Artes de Viena, mas não conseguiu. Além disso, Steinbeck faz uma grande ligação de termos. O termo “Der Führer” em alemão se traduz como “O líder” em português!
Steinbeck faz os cinco personagens dialogarem entre si, discutindo assuntos como a vida, as mulheres, a guerra e o desejo de férias.
Além deste elenco que conversa às vezes entre si, às vezes junto com o coronel Lanser e Corell, um infiltrado que espionou a cidade e criou a melhor oportunidade de invadi-la, existe no elenco “os mocinhos”: o Sr. Orden, o prefeito da cidade, que na verdade é um homem rústico; o Dr. Winter, médico da cidade, o homem culto e equilibrado que Orden admiriva; a Madame (esposa de Orden) que apenas e importa com a aparência das coisas; Joseph, empregado de Orden, que gosta das coisas perfeccionistamente arrumadas; e Annie, uma cozinheira voluntariosa. Estes dois grupos interagem muito bem, e criam grandes suspenses e tensões entre si.
A estória gira em torno da resistência oferecida pelo povo dominado ao um exércio invasor e opressor.  O livro foi escrito por Steinbeck e publicado durante a segunda guerra mundial, no momento em que a Alemanha ocupava grande parte da Europa, a Inglaterra e Rússia sob ataque nazista e os Americanos relutando em intervir na guerra que consideravam um conflito europeu. Proclama a vitória inevitável da liberdade humana sobre a violência e foi por isso que abriu caminho até às fileiras da Resistência e de todos os movimentos subterrâneos na triste Europa ocupada, de tal forma que os nazizstas tornaram a posse do mesmo um crime grave, muitas vezes mimeografado e passado de mão em mão, motivo suficiente para fuzilamento sumário.
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Bibliografia: Steinbeck, John. A longa noite sem lua. Record, 5. ed.